Uma fonte bem relacionada às negociações do Vale do Silício e que foi recrutada pela Apple para um cargo sênior diz que a Apple e o Twitter estão em sérias negociaçãoes, com o objetivo de tornar público o acordo dia 8 de junho, quando começa a Conferência Anual dos Desenvolvedores da Apple, em San Jose.

O Twitter recusou uma oferta de US$ 500 milhões em dinheiro e ações vinda do Facebook, em parte porque os investidores do Twitter não conseguiram concordar se as ações do Facebook valiam o que o Facebook dizia que elas valiam. Mas a Apple pode facilmente pagar em dinheiro. Uma fonte que conhece os diretores do Twitter disse que a companhia dificilmente recusaria uma oferta totalmente em dinheiro na casa dos US$ 700 milhões (Aliás, o Twitter vale tudo isso? Já que seu negócio é só uma fantasia a esse ponto, qualquer avaliação, alta ou baixa, é faz-de-conta.)

O que o Twitter, um startup adorável mas que não dá dinheiro, tem a ver com uma empresa de hardware como a Apple? O iPhone é obviamente o fio condutor da negociação: os vários aplicativos para iPhone que as pessoas usam para postar mensagens, como o Tweetie, são ótimos chamarizes para a Apple. Mas a Apple já tem o benefício de usuários de iPhone viciados em Twitter quer ela possua o Twitter ou não. E o casamento soa… Bem, esquisito, já que a Apple dificilmente é reconhecida pela sua habilidade na internet.

Aí que a negociação faz alguma dose de sentido, se você entender a cultura particular daqueles que trabalham na web. Enquanto a Apple tem experiência e é bem servida de designers de hardware e engenheiros de software, desenvolvedores de Web são uma raça à parte – e muitos destes já se recusaram a trabalhar numa companhia como a Apple, que pode parecer inovadora para o mundo de forma geral, mas é antiquada e pouco-flexível para os figurinhas descolados que criam websites. Você ouviu ou vai ouvir as reclamações: a Apple é cheia de mistérios e paranóica, resistence à maneira ultra transparente e aberta da Web.

O Twitter, é claro, é aberto tanto em sua natureza quanto no espírito. Os usuários supercompartilham cada mínimo detalhe de suas vidas, enquanto o Twitter torna esses updates disponíveis em seu website, via RSS, e via aplicativos de terceiros. A Apple obviamente está percebendo que precisa jogar nesse mundo, e precisa de alguém para mostrar o caminho. É coincidência que a Apple fez os executivos do Twitter mostrarem-se animados ou que tratou o Twitter como um negócio recentemente?

Se a Apple comprar o Twitter, o objetivo não será exatamente fazer dinheiro. Mas sim mandar uma mensagem. Em 140 caracteres ou menos.

(fotoilustração via Virality)