A sabedoria de profetas digitais diz que, em um futuro próximo, todas as coisas que temos — e muitas das que não temos — terão chips que as tornarão inteligentes. Mas o estudo propõe uma versão alternativa da Internet das Coisas — uma em que objetos comuns, junto com celulares Android velhos (e mais um monte de códigos) tornam a sua casa inteligente.

Um estudo acadêmico de uma equipe do Instituto de Interação Humano-Computador da Universidade de Carnegie Mellon, em Pittsburgh, na Pensilvânia, EUA, tornou real o que eles chamam de Zensors: câmeras conectadas à internet que monitoram seus arredores, analisam movimentações, e enviam os dados coletados e alertas baseados em questões pré-configuradas.

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Por exemplo: uma câmera monitorando um restaurante pode ser programada para monitorar o número de copos vazios no bar e enviar um alerta caso este número fique muito alto. Simultaneamente, também observará pagamentos deixados sobre as mesas, cestas de pão vazias — basicamente, tudo o que uma câmera pode ver. Tudo o que o usuário precisa fazer é circular uma área a ser monitorada, no caso, o bar, e fazer perguntas normais, como “quantos copos vazios são mostrados”.

As câmeras podem ser tanto celulares Androids velhos como câmeras conectadas à internet, o que torna fácil implantá-las. Lidar com a interpretação das questões e transformar o feed da imagem em dado que é a parte difícil. Para contornar isso, o Zensors usa um sistema híbrido computador/humano.

A princípio, questões e análises são manipuladas pelas máquinas, mas conforme as pessoas começam a responder as perguntas e interpretar as imagens da câmera, as máquinas vão aprendendo, comparando as próprias respostas com as que foram respondidas pelos humanos. Quando as máquinas atingirem um nível adequado de entendimento, os humanos não precisarão mais fazer parte do processo, já que o sistema se tornará totalmente automatizado.

De certa forma, o Zensors parece a junção das tecnologias que quase foram alguma coisa nos últimos anos: a inteligência de linguagem natural do Google Now e do Amazon Echo; a mentalidade de programação se-isso-então-aquilo, que reduz o número de ações em uma série de eventos, notificações e gatilhos; aproveitamento da inteligência humana em formatos próximos aos das máquinas.

No momento, o Zensors está em fase beta, como você pode ver no vídeo do YouTube abaixo. Mas caso o projeto Zensors se torne realidade (e esse é um “se” bem distante), ele providencia uma abordagem diferente e interessante da iminente distopia da Internet das Coisas. Em vez de termos taças de vinho inteligentes conversando com o balcão da cozinha para alertar o smartwatch da garçonete, o sistema trabalha com apenas um sensor para monitorar um monte de coisas simples.

[Zensors]