Uma missão experimental japonesa para remover lixo espacial de órbita acabou sendo um fracasso. É um revés frustrante, dada a ascensão dos riscos colocadas por quase dois milhões de pedaços de lixo que rondam o nosso planeta.

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Os cientistas da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) estavam tentando testar um sistema experimental onde um longo cabo seria utilizado a partir do satélite Kounotori 6 e direcionado para uma porção de detrito espacial. Quando conseguisse se conectar, a corda iria abrandar o objeto e o forçaria a entrar novamente na atmosfera da Terra, onda iria queimar. O teste do novo sistema teve um início difícil quando planejadores da missão não conseguiram nem mesmo implantar o cabo.

A necessidade para um sistema de remoção de lixo espacial está começando a se tornar urgente, então o fracasso não é um revés apenas para a JAXA, como também para a comunidade global. Existem cerca de 20.000 pedaços de resíduos registrados em órbita atualmente. Mas há, potencialmente, milhões (sim, milhões) de pedaços menores girando em torno do nosso planeta. Esses objetos incluem de tudo, desde ferramentas descartadas a restos de motores de foguetes, até líquido de refrigeração congelado de satélites movidos à energia nuclear. Se houver uma colisão em alta velocidade, esses pequenos pedaços de lixo espacial representam um perigo para os equipamentos e para a vida humana.

Existe também o risco da Síndrome de Kessler – uma reação em cadeia desenfreada de colisões. Como retratado no filme Gravidade, uma nuvem resultante de detritos pode crescer rapidamente, destruindo objetos em seu caminho. Um evento de Kessler tem o potencial para destruir uma porção significativa dos nossos satélites.

Diversas ideias foram propostas na tentativa de limpar essa bagunça, incluindo balões que desacelerassem os objetos, satélites kamikazes, velas solares para puxar objetos para fora da órbita, e – como o último teste da JAXA – um cabo eletrodinâmico para empurrar objetos para a atmosfera superior.

De acordo com o plano proposto, o satélite Kounotori deveria desenrolar um cabo de 700 metros feito de arame fino, aço inoxidável e alumínio. A ponta dessa corda, equipada com uma massa final pensando 22 quilos, iria se conectar com um pedaço do lixo espacial. A posição do cabo em relação ao objeto poderia ser alterada pelo uso da força que é gerada por uma corrente elétrica e do campo magnético da Terra. Uma vez que a conexão entre os dois fosse feita, o detrito seria desacelerado e guiado para entrar na atmosfera e então ser destruído.

O equipamento foi lançado para a Estação Espacial Internacional em dezembro e deveria ser instalado no satélite. Dessa forma, tanto o Kounotori 6 e o lixo espacial iriam queimar.

Pelo menos esse era o plano. Depois de dias tentando obter o cabo para a instalação, os planejadores da missão precisaram que desistir. Os cientistas da JAXA tinham apenas uma semana para fazer o trabalho, e ficaram sem tempo. Nesta manhã, Kounotori 6 entrou novamente na atmosfera da Terra, sem nenhum lixo espacial com ele.

“Acreditamos que o cabo não foi instalado”, disse o pesquisador líder, Koichi Inoue, numa coletiva de imprensa. “É decepcionante terminarmos a missão sem finalizarmos um dos objetivos principais”.

Embora seja decepcionante, não é o fim do mundo. A tentativa japonesa, mesmo falhando, é um sinal das coisas que estão por vir. Dado os riscos envolvidos – e a quantidade crescente de resíduos aparecendo no espaço – temos poucas escolhas, a não ser descobrir uma solução viável.

[AFP via The Guardian]

Imagem do topo: Conceito artístico de como o sistema da JAXA deveria funcionar. Crédito: JAXA