O Google pareceu em uma posição pouco confortável no programa 60 Minutes, nos Estados Unidos. A empresa, que contabiliza 90% do tráfego de buscas, foi questionada por supostamente operar um monopólio. Após o programa, Yelp e Trip Advisor, dois sites de avaliação de locais, anunciaram uma nova iniciativa para tentar fazer com que os resultados de busca local sejam mais diversos depois de terem sido enfraquecidos pelos próprios serviços do Google.

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A nova parceria, que foi endossada por uma série de grupos de defesa do consumidor nos EUA, como a Fight for the Future e o Consumer Watchdog, é chamada de Focus on the User. O grupo liberou um plugin para browser que oculta os resultados de estabelecimentos locais fornecidos pelo Google — baseado em informações do Google+. Em vez disso, ele usa um algoritmo pensado para mostrar a melhor informação possível, o que geralmente conta com uma série de fontes, incluindo avaliações de serviços locais.

O plugin tenta corrigir uma parte importante da dominância do Google. De modo geral, a companhia, se possível, não quer que os usuários deixem o seu ecossistema. Por essa razão, a empresa exibe pedaços de informação e cards que mostram o resultado logo na busca. E a companhia geralmente faz isso usando informações de outros serviços em vez de fazer com que a pessoa clique no link e saia da busca.

O Google tentou marcar território em buscas locais por um tempo, mas não deu muito certo. A companhia gastou US$ 151 milhões em 2011 para comprar o Zagat, uma empresa de avaliações de restaurante, justamente para diminuir a dependência de serviços como o Yelp. No entanto, aparentemente, o Google tem buscado compradores para o Zagat.

Em 2011, enquanto testemunhava no Comitê Judiciário da Câmara dos EUA, o então CEO Eric Schmidt disse: “Se nós sabemos a resposta, é melhor para o consumidor que respondamos a essa pergunta, de modo que ele não precise clicar em qualquer lugar, e, nesse sentido, tendemos a usar nossas fontes de dados, pois não podemos desenvolver de outra forma”.

O que os membros do Focus on the User sugerem é que, na verdade, existe outra forma de lidar com os resultados de busca local: usar resultados de empresas especializadas em conteúdo local e avaliações. Em um comunicado, o grupo disse que o Google dá “tratamento preferencial” ao seu produto, e não aos conteúdos mais relevantes. “Ao dar a si mesmo uma vantagem injusta, a empresa trai a confiança dos consumidores para combiná-los com as informações mais úteis”, diz a iniciativa.

Com o lançamento do plugin, o Focus on the User usa um algoritmo de busca orgânica que o Google tipicamente utiliza em seus resultados de busca local. Em uma demonstração da busca, o grupo mostrou que o widget produziu 719 avaliações para uma busca, comparado com apenas 31 resultados de buscas de reviews do Google+.

Além de lançar sua própria ferramenta, o Focus on the User está pedindo que o Google atinja dois objetivos primários em seus resultados de busca: entregar a “melhor informação possível” aos usuários no topo da busca e encorajar os usuários a deixarem o google.com para visitar as fontes originais de informação. “O Google pode implementar escolhas de design para proteger a internet livre e fornecer respostas aos usuários”, argumenta o grupo.

O Google, que não participou da matéria do 60 Minutes, emitiu um comunicado, dizendo: “Nossa responsabilidade é entregar os melhores resultados possíveis aos nossos usuários, não posicionamentos específicos para sites em nossos resultados. Entendemos que a queda do ranqueamento desses sites na busca os deixarão infelizes e que eles podem reclamar publicamente”. O Google não respondeu ao pedido do Gizmodo para comentar sobre a iniciativa Focus on the User.

O Google já esteve envolvido em polêmicas na União Europeia, e a comissária de concorrência Margrethe Vestager apareceu no 60 Minutes para deixar claro que ela não tem interesse em parar a perseguição ao que ela chamada de “comportamento ilegal” do Google. A gigante das buscas já levou uma multa de US$ 2,7 bilhões por favorecer seus serviços de compra em resultados de busca, e há relatos do início deste ano que indicam que a União Europeia quer sugerir que o Google seja dividido em empresas menores.

No início desta semana, uma série de senadores do partido Democrata pediu à FTC (Comissão Federal de Comércio) para investigar a possibilidade de o Google monitorar a localização de usuário de aparelhos com sistema Android — que é a plataforma de 90% dos aparelhos do mundo — sem permissão. O governo australiano também está com um investigação semelhante.

[60 MinutesCBS News]

Imagem do topo: Getty Images