Desde que o Skype foi comprado pela Microsoft, pouca coisa mudou. Fizeram o óbvio, ou seja, trocar a barra do Google pela do Bing, colocar mais anúncios onde fosse possível e continuar lançando atualizações em ritmo alucinado. A novidade anunciada hoje, porém, é mais palpável: o Skype agora exibe anúncios durante as chamadas.

O novo recurso se chama Conversation Ads. Os anúncios aparecem em conversas entre duas pessoas no Skype e apenas para clientes gratuitos no Windows — se você tiver uns trocados em créditos na sua conta, está livre. Eles surgem na tela da chamada como se fossem um segundo avatar, como na imagem acima, e têm esse nome (“anúncios de conversa” em tradução livre) porque a Microsoft/Skype espera, veja só, que eles se tornem assunto da conversa. É bem surreal, embora naqueles momentos de silêncio desconfortável possam de fato servir para quebrar o gelo. Só torcemos para que a Microsoft não aceite anúncios de soluções para aumentar partes da anatomia masculina. Isso seria bem desconfortável numa conversa com, sei lá, sua mãe ou seu chefe.

No fundo, é mais uma etapa no processo de fusão do Skype à máquina da Microsoft. Os anúncios poderão ser comprados, através da rede para anunciantes da Microsoft, em 55 países e a empresa garante que a qualidade do áudio não será prejudicada devido a essa novidade.

Falando ao Ars Technica, Phil Wolff, editor do Skype Journal, criticou duramente a iniciativa acusando a Microsoft de que, com ela, a promessa de manter o Skype em conversas um-a-um gratuito é quebrada. “Os usuários agora pagam uma taxa de atenção,” diz. E completa: “A Microsoft está exibindo anúncios no site do Skype, no painel ‘Home’ do cliente desktop e agora nas chamadas por voz. Como você se sentiria se a Apple ou o Google fizesse isso com a sua experiência de ligações em celulares? É invasivo e interfere na experiência de uma boa ligação.”

Dado o histórico, algo assim vindo da Apple seria realmente estranho. Do Google? Nem tanto. Talvez o formato atual, que apenas exibe uma imagem e não interfere no áudio, não seja tão invasivo afinal, mas pode ser o início de algo mais agressivo no futuro. Na dúvida, não se desfaça ainda do seu plano de voz ou do telefone fixo. [Skype via Ars Technica]