Há 1 mês, uma garota de 16 anos foi "sacrificada" em um ritual por outros jovens em Belém. O brutal crime ainda não tinha solução até que um universitário porto-alegrense fez uma denúncia à polícia. Sem nenhum envolvimento formal com a investigação, ele conseguiu não só a identidade dos assassinos – adolescentes que se diziam vampiros – mas entregou a polícia a confissão gravada por ele mesmo, via Skype.  

Jogador do RPG Vampiro – A Máscara, o detetive acidental esbarrou com "Lord Blood", o mandante do homocídio de 18 anos, em uma comunidade do Orkut para o jogo há 6 meses. Em vez de falar sobre o RPG em si, o então futuro assassino queria fazer propaganda de uma comunidade de "vampiros reais" em um bairro de Belém. O gaúcho pegou o contato e passou a trocar mensagens. 

Há algumas semanas, como todo idiota que vive em um mundo da fantasia, o pequeno monstro tirou onda de que já tinha participado de um ritual de verdade, e passou por MSN um link com a notícia da morte da menina. O RPGista fez o que tinha de fazer e, sensibilizado com uma reportagem que mostrava o desespero do pai da menina com a "lentidão da justiça", armou de gravar a confissão. Por Skype, fez perguntas, pediu detalhes, e passou a denúncia à polícia, que prendeu um casal de 18 anos e dois adolescentes menores de idade.

E, pela primeira vez em anos de reportagens de TV, o RPG não apareceu como vilão. Ou, mais exatamente, mostrou que pode ser simplesmente um interesse comum de pessoas sadias, heróis acidentais, e sociopatas. Como, sei lá, o futebol.   

[Via Zero Hora e Jornal Hoje. Valeu, Siciliano!]