Hoje em dia todos estão procurando produtos resistentes e que durem por um bom tempo. Mas e se você encontrasse um smartwatch que pode se dissolver na água? Pesquisadores da Universidade de Tianjin usaram um material nanocompósito de dois metais para criar um protótipo totalmente funcional, mas que se dissolve quando submerso.

De acordo com uma pesquisa, publicada na ACS Applied Materials & Interfaces, isso pode ser uma solução para combater o lixo eletrônico. Enquanto eletrônicos maiores podem ser desmontados para reciclar peças, dispositivos menores, como smartwatches, requerem um processo muito mais difícil.

Isso porque os componentes devem ser recuperados manualmente e isso pode envolver processos perigosos, como queima a céu aberto e lixiviação ácida. Seguindo essa linha de pensamento, os cientistas acreditam que um dispositivo solúvel poderia resolver esses problemas.

O desafio aqui é que essa tecnologia precisa ser durável. Embora nem todos sejam seguros para a piscina ou o chuveiro, a maioria pode suportar tarefas como lavar pratos, sessões de treino suadas e ser pego por uma tempestade.

Imagem: ACS Applied Materials & Interfaces 2021

Os pesquisadores modificaram um material à base de zinco que antes era usado para criar circuitos temporários solúveis. Para torná-lo condutor o suficiente para eletrônicos de consumo, os pesquisadores adicionaram nanofios de prata.

Eles então imprimiram a solução em um polímero degradável em água e “solidificaram os circuitos aplicando pequenas gotas de água que facilitam as reações químicas e depois evaporam”.

Usando esse método, eles criaram várias placas de circuito que foram alojadas dentro de uma caixa de álcool polivinílico impressa em 3D. (O álcool polivinílico é um material solúvel em água e biodegradável.)

O protótipo do smartwatch também inclui sensores que podem ler a frequência cardíaca, contagem de passos e níveis de oxigênio no sangue. Ele também é capaz de se conectar a um aplicativo de telefone via Bluetooth.

Durante o teste, os pesquisadores descobriram que o dispositivo era capaz de registrar dados biométricos com precisão, bem como enviar emojis, identificador de chamadas e mensagens de um telefone compatível.

Ele também foi capaz de resistir a respingos de gotas de água, indicando que o relógio poderia tolerar um certo grau de umidade. No entanto, quando submerso por 40 horas na água, o protótipo se desintegrou completamente. Tudo o que foi deixado para trás foram componentes como a tela e o microcontrolador.

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O lixo eletrônico é um problema legítimo. Em 2019, o mundo gerou 53,6 milhões de toneladas, dos quais apenas 17,4% foram reciclados. Alguns anos antes, a quantidade de lixo eletrônico global era suficiente para construir 4.500 Torres Eiffel.

O problema também está piorando graças à obsolescência planejada. À medida que as empresas adicionam rapidamente novos recursos aos gadgets a cada ano – ou param de atualizar os mais antigos -, os consumidores são incentivados a jogar fora dispositivos perfeitamente bons.

Claro, os gigantes da tecnologia fizeram um grande alvoroço nos últimos anos sobre seus esforços de sustentabilidade, e 2020 viu uma redução no lixo eletrônico devido à pandemia – mas isso ainda não é o suficiente. Os eletrônicos dissolvíveis não chegarão às prateleiras tão cedo, mas talvez um dia isso possa ajudar a tornar a reciclagem um pouco mais fácil