Quanto mais recursos bacanas um smartwatch tem, pior é a autonomia da bateria dele. Mas e se em vez de precisar carregar o gadget toda noite você pudesse usar um relógio que coleta o calor do seu corpo e converte em eletricidade para se manter funcionando?

Smartwatch de luxo Tag Heuer Connected chega ao Brasil por R$ 7.200
Nova interface usa a sua pele como extensão de um smartwatch

É o que promete o novo smartwatch chamado PowerWatch de uma empresa chamada Matrix Industries – um nome bastante apropriado, considerando que humanos eram fontes de energia nos filmes Matrix.

powerwatch-2

Então como exatamente essa tecnologia funciona, e por que todo gadget não usa esse tipo de energia? Os criadores do PowerWatch estão usando o dispositivo como prova-de-conceito para sua tecnologia de geração termoelétrica, que eles conseguiram fazer ficar pequena e eficiente o suficiente para ser incorporada a um aparelho tão pequeno e compacto quanto um relógio. Outros produtos como esse existem, como o CampStove da BioLite, que pode carregar o smartphone enquanto prepara comida. Mas o PowerWatch não precisa de nada além de você para funcionar.

Para o circuito gerador termoelétrico funcionar, um dos lados precisa de uma fonte constante de calor, enquanto o outro precisa permanecer resfriado. O fator importante é a diferença de temperatura entre os dois, e é por isso que a tecnologia funciona tão bem quando integrada a um relógio.

powerwatch-3

O corpo humano faz seu melhor para manter a temperatura interna constante em cerca de 37 graus Celsius. Esse calor propaga através da pele, e então pode ser absorvido pela traseira do PowerWatch enquanto ele é usado. Do outro lado do relógio há uma carcaça de metal e um botão redondo, com dissipadores escondidos como parte do design que ajudam a manter um dos lados consideravelmente mais frio do que o que toca a pele do usuário.

Enquanto a diferença de temperatura existir, o smartwatch consegue gerar a energia que precisa para funcionar. Quando ele não está sendo usado, entra automaticamente em um modo suspenso de baixo consumo de energia, usando uma bateria interna para manter a data e a hora corretas até você vesti-lo novamente.

Em relação aos recursos de smartwatch, o PowerWatch não é robusto como um Apple Watch ou um aparelho com Android Wear. Ele pode ser sincronizado com um smartphone via Bluetooth, garantindo que sempre mantém a data e o horário corretos, ou permitindo que o usuário personalize a face do relógio. Mas nada de notificações de smartphone pipocando no seu pulso, um recurso bastante comum em smartwatches que existe até em pulseiras fitness.

powerwatch-4

Mas não significa que ele seja fraco para exercícios físicos. Como o smartwatch depende muito do calor do corpo do usuário para ter energia, ele também consegue monitorar com precisão quantas calorias foram queimadas durante uma atividade, considerando as flutuações sutis na temperatura do corpo. Outros vestíveis fitness monitoram as calorias ao extrapolar dados do monitor cardíaco e dos sensores de movimentos, mas a tecnologia termoelétrica única do PowerWatch dá uma grande vantagem para ele quando falamos em precisão.

Como fazer para conseguir um desses? No momento, o PowerWatch só é vendido para apoiadores de uma campanha no Indiegogo, e ele exige uma contribuição de US$ 170 para quem quiser receber um mais ou menos em julho do ano que vem. É importante lembrar que essa data não está certa, e pode ser que problemas de fabricação adiem o lançamento do relógio. Mas a empresa pretende mostrar uma versão do relógio na CES, e vamos conferir pessoalmente se a tecnologia realmente entrega o que promete.

[Indiegogo – PowerWatch]