Quem gosta de tecnologia no Brasil tem algum tipo de relação de amor e ódio (ou as duas coisas ao mesmo tempo) com a Nokia. Líder do mercado, inventora de aparelhos que redefiniram a indústria, de hardware confiável, ela é uma empresa admirada e, mesmo quando criticada, é respeitada por todos. Ao desrespeitá-la, em um post hoje, nós erramos.

O post em questão era sobre a posição relativa das fabricantes de smartphones. Ele foi produzido pelos nossos amigos do Giz US e escolhemos traduzí-lo especificamente porque o gráfico – ainda que confuso – é bem interessante em termos de números. Mas havia problemas na argumentação e no estilo do texto. Deveríamos, como fazemos costumeiramente, adaptá-lo de alguma forma para o nosso padrão. Por desatenção, não o fizemos. E isso foi bastante errado. Porque simplesmente não há justificativa para chamar os executivos da Nokia de "imbecis" (como estava no texto, agora consertado). Não há. É deselegante, na melhor das hipóteses.

Sim, eu e a torcida do Corinthians também achamos que algumas escolhas da Nokia – em particular na insistência com o Symbian – não foram as mais felizes. Acionistas também reconhecem isso e vários executivos saíram da gigante finlandesa. Mas a coisa não é tão simples e desqualificá-los de maneira tão dura não é correto. Sim, acho o Gizmodo americano o melhor blog de tecnologia do mundo, mas eles – e nós – erram às vezes também. No caso, houve um erro, mas há um fiapo de justificativa. 

A maioria dos americanos – e consequentemente, de alguma forma, o Gizmodo americano – vê a Nokia de maneira diferente. Lá a empresa vai muito mal por alguns motivos que já tentamos explicar. Mas basicamente, a percepção geral é que lá ela é uma empresa batendo no peito falando de sua superioridade, tentando competir com Androids e iPhones, e por um preço quando não igual, maior (americanos não entendem aparelhos desbloqueados). 

Então, para os americanos de um mercado supercompetitivo, a Nokia simplesmente não faz sentido – o Gizmodo US escreveu vários artigos recentes sobre isso que simplesmente não traduzimos, porque temos uma outra perspectiva. A Nokia BR é diferente da Nokia US, tanto em posição no mercado (aqui é líder, e subindo), quanto em missão. 

A função da Nokia aqui – e no resto do mundo – está razoavelmente clara: vender smartphones capazes, funcionais, por um preço menor que a concorrência, em algumas situações, com algumas vantagens específicas (caso do N8). Isso aliado ao hardware normalmente durável fez dela uma preferida, especialmente em mercados emergentes como o brasileiro. Meu primeiro smartphone foi um Nokia E71, que se não se compara com o meu iPhone 4 ou o Milestone em termos de elegância e rapidez na hora de executar tarefas complexas, faz basicamente tudo que importa em um smartphone: alarme, e-mail, tethering, Twitter com Gravity, browser com o Opera, jogos com emuladores, SMS rápido, multitarefa, câmera decente. E é confiável.

Ele chegou aqui um ano antes do Android, e por um preço infinitamente melhor que o iPhone. Hoje, com sua série 523x, 5800, Série N e E63 e N95s velhos de guerra, a Nokia ainda é a porta de entrada para o mundo dos smartphones e tem motivos suficientes para ter a lealdade de clientes. Você não é o seu gadget, mas entendemos quem fica bravo quando falamos mal de algo caro a você. Aparentemente exageramos algumas vezes em relação à Nokia. Novamente, peço desculpas. 

Se os nossos amigos do Giz US não têm essa visão mais mundial da marca, aqui não temos muita desculpas para errarmos sobre seu julgamento, e seremos mais criteriosos em relação às traduções de notícias relacionadas à marca. Continuaremos críticos em relação à Nokia quando tivermos que criticar, continuaremos comparando o Symbian com outros sistemas quando ele aparecer em aparelhos caros, mas aplaudiremos quando ela merecer aplausos, como sempre fizemos com todas as empresas.

Mas acima de tudo dou a minha palavra que seus aparelhos – e a companhia como um todo – terão um tratamento justo. A começar pelo nosso primeiro hands-on com o N8, amanhã. Mais uma vez, peço desculpas à empresa e aos leitores pelo deslize. Voltemos à programação normal.