O Eco4Planet, site mantido pelo membro honorário do Gizmodo Juan Lourenço, é basicamente a definição de site bem intencionado da internet, que não faria mal a uma árvore. Mas ele, junto de outros “grandes buscadores”, está sendo processado por um cara que já foi acusado de pedofilia. Isso é errado em diversos níveis, mas também mostra o quanto ainda não sabemos como lidar com novos problemas causados pela memória de elefante da internet.

Não há muitos detalhes sobre o caso, mas a pessoa que processa o Eco4Planet (que tem, entre outras coisas, um buscador customizado do Google) acha que o nome dela associado a “pedofilia” tem, digamos, atrapalhado a sua vida. Deve ser verdade. Imagina que você fez algumas grandes idiotices no passado e quer mudar de vida. Você bate na porta de uma empresa e o seu potencial empregador dá uma googlada no seu nome e o primeiro resultado é uma acusação grave. Qual a chance de você ser reinserido? Veja bem: estou longe de defender uma pessoa que pode ter feito coisas abomináveis no passado e ainda por cima entrou com um processo estúpido, mas eu consigo entender o nível de confusão de uma pessoa assim. Parece quase impossível fugir do passado nessa sociedade superconectada.

Quando não envolve vídeos pornôs de ex-namorados (que se espalham mais rápido que qualquer coisa), é relativamente fácil deletar detalhes da vida particular. Basta apagar aquele blog, a conta do Twitter, um álbum do Picasa e deletar alguns posts lamuriosos do Facebook. Mas quando o seu problema se tornou público, como o envolvimento em um acidente, um protesto, um crime ou uma grande demissão, você ficará potencialmente marcado para o resto da vida, já que o Pagerank de um jornal é maior do que o do seu nome naquele blog obscuro. Essa é a opinião de Eric Schmidt, que quando era CEO do Google disse “Se você tem algo que não quer que ninguém saiba, talvez você não devesse estar fazendo isso pra início de conversa.”

Faz sentido, até certo ponto. Isso é uma simplificação absurda do problema, na verdade. Lá no início dos tempos da humanidade vivendo em sociedade, quando alguém fazia algo errado era banido da vila – familiares também pagavam o pato. Mas por muitos milênios a pessoa pôde recomeçar em outro lugar. Mesmo que você fosse, sei lá, o maior ladrão de seu país, você poderia ir para um novo continente e acabar virando prefeito de uma cidade do Novo Mundo. Até no século passado, mudar de Estado dentro do Brasil resolvia. Mas e agora? Por uma lado isso é bom – vide Interpol e as operações multiestaduais da PF. Mas e para quem foi injustamente acusado ou fez apenas uma grande idiotice e quer se recuperar?

As pessoas, especialmente os mais velhos, estão confusas. E entram com processos sem sentido tentando apagar o passado. Isso é impossível, e certamente a justiça estará do lado dos buscadores no caso específico relatado pelo Juan. Ou pelo menos é assim que ela tem se comportado, como nessa decisão proferiada em agosto, em um caso semelhante:

O juiz negou o pedido sob o seguinte fundamento: “O instrumento de buscas Google utiliza um algoritmo para gerar resultados de buscas. A informação contida nos resultados não é por ele gerada. Ou seja, a princípio, não é o instrumento de buscas que é responsável pelo conteúdo, favorável ou não, sobre determinada pessoa, coisa ou fato descrito em páginas da rede mundial de computadores”.

Não conheço no Brasil, mas há empresas nos EUA que são especializadas em rebaixar alguns fatos ou nomes da busca do Google – pense no SEO ao contrário. Há um guia interessante aqui. E, acredite, este será um serviço cada vez mais requisitado, porque os algoritmos não têm coração.