Os aviões Boeing 737 Max permanecerão afastados de operação enquanto a empresa continua trabalhando em atualizações de software e hardware essenciais após dois acidentes aéreos desastrosos.

Uma reportagem da CNN desta segunda-feira (1º) cita um novo prazo emitido pela Federal Aviation Administration (FAA), órgão equivalente à Anac nos Estados Unidos.

Países de todo o mundo suspenderam o uso do 737 Max depois de dois acidentes catastróficos. O primeiro foi em um voo da Lion Air que caiu no Mar de Java próximo da Indonésia no final de outubro de 2018 e deixou 189 mortos. O outro foi um voo da Ethiopian Airlines que caiu na Etiópia, perto da capital Adis Abeba, no começo de março de 2019, matando 157 pessoas.

Acredita-se que ambos os casos estão relacionados com um sistema de estabilização automática de voo chamado MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System).

Projetado para aliviar potenciais problemas de estagnação que poderiam acontecer a partir do novo modelo de motor do 737 Max, o MCAS automaticamente abaixa o nariz da aeronave, realizando uma compensação. Essa decisão é feita automaticamente, com base em dados de sensores.

Como explica o New York Times, algumas tripulações aparentemente não estavam prontas para uma falha específica: “Dados defeituosos indicavam erroneamente que o avião estava voando em um ângulo perigoso, fazendo com que o sistema de controle de voo repetidamente puxasse o nariz da aeronave para baixo”. De acordo com o Dallas Morning News, diversos pilotos enfrentaram descidas repentinas quando o MCAS era ativado automaticamente.

Embora a Boeing vinha insistindo que os pilotos seriam capazes de lidar com a falha ao seguir protocolos estabelecidos, o NYT destaca que críticos questionaram se o MCAS deveria ter sido introduzido com um treinamento mais intensivo. A Anac, inclusive, exigiu treinamento dos pilotos, ainda que a empresa se negasse a fazê-lo.

O sistema operacional do 737 utiliza um equipamento chamado sensores de ângulo de ataque para “determinar o nível de inclinação do nariz do avião em relação ao ar em sentido contrário”, mas vendia um par de sistemas de segurança que mostrava as leituras desses sensores (e que potencialmente indicaria a falha dos dados do MCAS) como um item opcional.

De acordo com a CNN, a FAA disse em um comunicado nesta segunda-feira (1º) que determinou que a correção de software da Boeing precisa “de trabalho adicional” para assegurar que a companhia “identificou e corrigiu apropriadamente todos os problemas pertinentes”. A empresa reconheceu que o prazo foi alterado.

“Segurança é nossa principal prioridade, e vamos utilizar um método minucioso e metódico para o desenvolvimento e testes da nossa atualização para assegurar que levaremos o tempo necessário para corrigir tudo”, disse a empresa à CNN.

Segundo o NYT, a Boeing também disse que irá instalar os sistemas de segurança de ângulo de ataque em todas as linhas de aviões, sem custos adicionais.

Uma outra reportagem do Wall Street Journal cita fontes ligadas com os problemas e diz que a Boeing estava tentando tornar o MCAS “menos poderoso, mais controlável pelos pilotos e incapaz de ser ativado caso recebesse dados incorretos de um sensor”. Essa matéria também parece indicar que a Boeing demorou para agir após a queda de 2018:

Depois da primeira queda, um funcionário de alto escalão da Boeing disse a diversos pilotos americanos que eles não encontrariam problemas similares, argumentando que eles eram mais bem treinados do que os pilotos de outros países, de acordo com uma pessoa familiarizada com o encontro.

A companhia foi lenta em entregar uma resolução para o sistema apontado como o principal fator das duas quedas, de acordo com pessoas a par dos detalhes. Embora a Boeing tenha dito que seus engenheiros vinham explorando uma correção de software desde novembro, desentendimentos entre a empresa e sua reguladora sobre uma série de questões relacionadas à operação do 737 MAX impediram o progresso, de acordo com uma fonte. A correção ainda não está pronta e pode levar semanas até que seja lançada.

Um representante da Boeing que conversou com o WSJ caracterizou os atrasos no lançamento da correção, que tem sido desenvolvida em parceria com reguladores e fornecedores, como abundância de precaução.

“Conforme mergulhamos no problema, percebemos que havia outras maneiras de tornar o sistema ainda mais robusto do que as mudanças iniciais que tínhamos em mente”, disse. “Demorou até agora porque queríamos acertar.”

[CNN]