A NASA anunciou que a sonda Parker Solar Probe atravessou pela primeira vez na história a atmosfera superior do Sol — chamada corona — e recolheu amostras de partículas solares.

O encontro ocorreu em 28 de abril passado, mas demorou meses até que cientistas recebessem os dados e confirmassem a entrada na corona. As conclusões foram publicadas nesta terça-feira (14), em um artigo na revista científica Astrophysical Journal.

Os cientistas estimam que a atmosfera da estrela se estenda entre 10 e 20 raios solares de distância da superfície — cerca de 7 a 14 milhões de quilômetros. Durante o sobrevoo de cinco horas, a Parker Solar Probe mergulhou a 18,8 raios solares de distância da superfície, a cerca de 13 milhões de quilômetros.

Nessa região, os campos magnéticos do Sol são tão fortes que eles chegam a moldar o movimento das partículas.

Como a atmosfera não tem uma forma esférica lisa — apresentando picos e vales — a sonda entrou e saiu várias vezes da corona. Ao estudar essas saliências, os astrônomos esperam entender como eventos no Sol afetam a atmosfera e o vento solar.

Entendendo a origem do vento solar

Lançada em 2018, a sonda foi a primeira da agência espacial a se aproximar tão perto da nossa estrela. A missão tem o objetivo de estudar a evolução do Sol, bem como entender como o fluxo de partículas solares pode influenciar a Terra e o resto do Sistema Solar.

A expectativa é descobrir a origem do vento solar e o mecanismo que faz ele ser acelerado a velocidades supersônicas através do espaço.

“Essas medições da corona serão críticas para a compreensão e previsão de eventos climáticos espaciais extremos, que podem interromper as telecomunicações e danificar satélites ao redor da Terra”, explicou a NASA.

Em novembro, a sonda efetuou com sucesso um novo encontro, viajando a mais de 586 mil quilômetros por hora e passando ainda mais perto, a 8,5 milhões de km da superfície solar. Os dados deste encontro começarão a ser transmitidos para a Terra a partir de 23 de dezembro.

Nos próximos anos, a sonda fará outros sobrevoos mais próximos da superfície. A aproximação final deverá ocorrer em 2025, quando ela chegará a apenas 6 milhões de quilômetros da estrela.