A JAXA, a agência espacial japonesa, declarou o fim de fase exploratória da missão Hayabusa2. A partir desta quarta-feira (13), a espaçonave deixará o Ryugu e voltará à Terra, trazendo — se tudo deu certo — amostras de asteroide junto com ela.

Por volta das 10h05 no horário do Japão, a sonda receberá instruções para deixar o sistema Ryugu, de acordo com a AFP. A Hayabusa2 deve deixar a gravidade do asteroide em 18 de novembro. Depois disso, disparará seus principais propulsores e começará sua jornada em direção à Terra. A sonda deverá chegar ao planeta em dezembro de 2020.

Ao longo do passeio de volta à Terra estarão as amostras mais importantes. A sonda conseguiu tocar a superfície do asteroide duas vezes, tentando coletar amostras em 21 de fevereiro de 2019 e materiais mais profundos em 11 de julho de 2019. Além disso, Hayabusa2 tirou várias fotos do asteroide e implementou várias sondas robóticas na superfície, entre outras tarefas.

Olhando em retrospecto, a missão até o momento foi um sucesso espetacular — embora o suspiro final de alívio só deva ocorrer quando os cientistas abrirem os compartimentos de transporte e confirmarem que eles trouxeram as amostras coletadas pela missão.

“Estou me sentindo meio triste e meio resoluto para fazer nosso melhor e trazer a sonda de volta para casa”, disse Yuichi Tsuda, gerente do projeto Hayabusa2, a repórteres, conforme reportou a AFP. “Ryugu tem estado no coração de nossa vida cotidiana há um ano e meio”.

Asteroide RyuguO asteroide Ryugu. Crédito: JAXA

Felizmente, a viagem de um ano para casa é muito menos do que os 3,5 anos que levou para a Hayabusa2 chegar ao asteroide. A Terra e Ryugu estão agora mais próximos em seus respectivos caminhos orbitais em comparação a 2014, quando o asteroide estava a quase 300 milhões de quilômetros da Terra.

A Hayabusa2 começou a “fazer as malas” para voltar à Terra no início do inverno, quando colocou o compartimento de coleta dentro da cápsula de reentrada. Ao contrário de sua antecessora, a sonda Hayabusa2 não queimará na atmosfera da Terra. Em vez disso, ela descartará as amostras na Terra, onde é esperado que aterrissem no deserto da Austrália (a JAXA está atualmente negociando com o governo australiano para resolver alguns detalhes importantes, incluindo licenças para recuperar a cápsula de reentrada na região restrita de Woomera). Quanto à Hayabusa2, ela permanecerá no espaço, onde poderá ser reciclada para outra missão de asteroide.

Os cientistas da JAXA esperam que as amostras contenham pedaços de carbono e compostos orgânicos. Ao estudar estas amostras, os cientistas esperam obter novas ideias sobre a composição dos asteroides e como eles se formaram há 4 bilhões de anos, bem no comecinho da história do sistema solar.