A sonda InSight Lander, da NASA, chegou a Marte em 2018 para estudar o interior do nosso planeta vizinho. Feitas as primeiras observações sísmicas de Marte através do sismômetro da máquina, agora os cientistas já têm uma visão mais apurada da composição do planeta vermelho, atualmente a 236 milhões de milhas de nós aqui na Terra.

O InSight Lander foi responsável pela realização de três estudos publicados nesta semana na revista Science. O primeiro explorou a espessura e composição da crosta de Marte; o segundo examinou os dados do InSight no manto superior (a parte logo abaixo da crosta) do planeta; e o terceiro estudo investigou o núcleo marciano.

Os pesquisadores definiram intervalos para a espessura de cada camada de Marte, suas densidades e também elaboraram um resumo das interações entre as camadas. As descobertas da equipe podem ser comparadas à geociência da Terra, ajudando cientistas a entender melhor a evolução planetária — um tema importante da ciência, pois as agências espaciais continuam a olhar para a composição de outros corpos em nosso sistema solar, ajudando a entendermos melhor o nosso planeta.

“Esses três estudos fornecem restrições importantes a respeito da estrutura de Marte e também são fundamentais para melhorar nossa compreensão de como o planeta se formou bilhões de anos atrás e evoluiu ao longo do tempo”, escrevem Sanne Cottaar e Paula Koelemeijer, sismologistas da Universidade de Cambridge e Royal Holloway, University of London, respectivamente.

O InSight pousou em Marte em novembro de 2018, encarregado de medir o tamanho, alcance, profundidade e estrutura do interior de Marte. O InSight faz isso detectando os chamados “martemotos” (terremotos marcianos), que começaram a ocorrer no início de 2019. Esses abalos sísmicos são muito parecidos com terremotos terrestres, embora ocorram em porções espaçadas da crosta de Marte, que não tem placas tectônicas como as que estão associadas a terremotos na Terra.

O “raio-x” de um terremoto marciano. GIF: Reprodução/NASA

As equipes do InSight estavam procurando especificamente por ondas de cisalhamento, que são ondas sísmicas ramificadas de um evento de terremoto marciano, ricocheteando em diferentes camadas do interior do planeta. O InSight detectou mais de mil desses eventos até agora, mas apenas 12 eram de resistência e qualidade suficientes para serem estudados. Nenhum dos 12 registrou magnitude acima de 4.0.

O manto superior de Marte (sua litosfera) era mais espesso que o da Terra, com cerca de 500 quilômetros de espessura em comparação com o manto de 410 km de espessura da Terra. Isso indicaria que ambos os planetas, mesmo que o manto superior seja semelhante, foram formados de maneiras distintas.

O núcleo marciano é maior do que o esperado, relatou a terceira equipe de pesquisa. É principalmente composta de ferro fundido, assim como o núcleo da Terra. Os resultados também indicaram que o núcleo teria esfriado mais rápido do que o da Terra, potencialmente criando o geodínamo que sustentou um campo magnético marciano.

Nesta ilustração, as linhas vermelhas à direita indicam a trajetória das ondas sismícas, que vão aumentando até uma determinada distância, formando um “martemoto”. Imagem: Chris Bickel/Science

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“O tamanho do núcleo marciano, a camada da crosta e a espessa da litosfera fornecem informações importantes sobre a evolução térmica e dinâmica de Marte”, escreveram Cottaar e Koelemeijer. “Nos próximos anos, à medida que mais abalos marcianos forem medidos, os cientistas irão refinar esses modelos do planeta vermelho e revelar mais dos enigmáticos mistérios de Marte”.