Depois de um ano diminuindo a velocidade, a sonda ExoMars finalmente chegou ao destino na órbita de Marte. E, em aproximadamente duas semanas, a Agência Espacial Europeia e o orbitador Roscosmos começaram a escanear a atmosfera marciana buscando traços de gases, incluindo aqueles potencialmente ligados à presença de vida.

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Nesta semana, a sonda transitou de uma órbita altamente elíptica para um trajeto quase circular que a posiciona a cerca de 400 km da superfície do planeta vermelho. A ExoMars orbita Marte a cada duas horas, o que significa que seu esforço científico pode progredir com seriedade. Tudo o que é preciso ser feito agora são algumas calibrações e a instalação de novos softwares. Depois disso, a sonda apontará seus diversos instrumentos de detecção de gases para o planeta.

“Nós começaremos nossa missão científica em apenas algumas semanas e estamos extremamente entusiasmados com o que as primeiras medições irão revelar”, disse Håkan Svedhem, cientista do projeto ExoMars, em um comunicado. “Nós temos a sensibilidade para detectar gases raros em proporções de minutos, com o potencial de descobrir se Marte continua ativo hoje – biologicamente ou geologicamente falando.”

Infográfico mostrando como metano é criado e destruído em Marte

Marte possui uma atmosfera, mas ela é muito fina – cerca de 100 vezes mais fina que a da Terra. Ela consiste em cerca de 95% de dióxido de carbono, 2,7% de nitrogênio e 1,6% de oxigênio. Mas ela também é formada pelos chamados “traços de gases”, ou seja, gases que equivalem a menos de 1% do volume atmosférico total de Marte – gases como monóxido de carbono, água, néon, óxido de nitrogênio e outros. Mas o principal gás que os cientistas estão buscando é o metano, já que ele poderia sinalizar a presença de atividade geológica ou biológica. Na Terra, metano é despejado de nossas reservas naturais de hidrocarbonato, vulcões e fontes hidrotérmicas. Mas ele também é um derivado produzido por organismos biológicos.

A detecção de metano em Marte definitivamente causaria um rebuliço na área científica. Essa substância química dura cerca de 400 mil anos na atmosfera marciana e é quebrada pela luz ultravioleta do Sol, interação com outros químicos atmosféricos, e dispersada por altos ventos atmosféricos. Então, se a ExoMars identificar metano, isso significaria que Marte ainda é geologicamente ativo. Outra possibilidade, apesar de incerta, é que isso indicaria a capacidade do planeta de sustentar vida biológica, como microrganismos.

Antes dessa missão, escaneamentos produzidos pela Mars Express, da Agência Espacial Europeia, e pela Curiosity, da NASA, apontaram a possível presença de metano, mas os resultados não foram convincentes o bastante. A ExoMars possui sensores três vezes mais poderosos que qualquer outra coisa já enviada a Marte antes e ela será capaz de detectar gases em concentrações extremamente baixas. Seus vários sensores e câmeras irão observar a atmosfera, escanear a superfície e até detectar o que está abaixo dela, como as fontes dos vazamentos de gases ou até gelo escondido debaixo da superfície.

Quando a ExoMars foi lançada em 2016, ela era acompanhada pelo aterrissador Schiaparelli EDM. Infelizmente, o rover se acidentou durante sua descida quando um cálculo incorreto fez seu paraquedas abrir antes da hora. Isso foi péssimo, mas a boa notícia é que um aterrissador construído pela Roscosmos, chamado de plataforma de superfície ExoMars 2020, substituirá o rover em março de 2021. O InSight Lander, da NASA, que deve ser lançado no mês que vem, também deve chegar a Marte no mesmo ano. Mencionamos isso porque o orbitador ExoMars terá dupla função como estação de comunicação até lá. Assim que os aterrissadores chegarem, eles poderão se comunicar com os operadores da missão na Terra.

Ainda faltam alguns anos, mas o laboratório cientifico que chamamos de Marte está prestes a ficar ainda mais interessante.

[ESA]

Imagens: ESA