O X Series Walkman é o tocador de mídia portátil premium da Sony. Ele tem memória flash, Wi-Fi, cancelamento de ruído, interface de uso redesenhada e uma maravilhosa touchscreen de OLED. Mas pode competir com o atual campeão, o iPod Touch? Em uma palavra, não.

Com isso, não quero dizer que ele não seja um bom tocador. Pelo contrário, ele bate o Samsung P3 e o Cowon S9, por exemplo, mas me pergunto quem o compraria no lugar de um Touch. De qualquer maneira, se a Sony utilizasse essa interface em algum de seus musicphones Sony Ericsson Walkman, ela poderia ter algo bem poderoso.

 
Físico

O X Series tem tamanho semelhante ao do Samsung P3 e menor do que o do iPod Touch na largura e no comprimento – mas maior na espessura. É desenhado com uma estética fora do comum: as laterais têm esse metal meio estranho, áspero e brilhante, similar a um granito não polido, e as costas e a borda frontal são de vidro preto com pequenos detalhes cintilantes, como em um balcão de granito. É um tocador com um belo visual e passa a impressão de ser bem sólido. Só não entendi muito bem esse lance do granito – não é uma coisa espetacularmente atraente.

Na frente do X Series está a tela, uma touchscreen capacitiva de OLED de 3” inacreditavelmente responsiva, e um grande botão “Home” sob a tela, como o iPod Touch. A tela é cristalina, com a imagem mais nítida que eu já vi em um PMP – ele atende às promessas do OLED. Os ângulos de visão não têm limite, e a resposta ao toque é ótima, sem lag algum. Infelizmente, os vidros frontal e traseiro são terríveis ímãs de impressões digitais – por outro lado, parecem bem resistentes a riscos.

O lado direito tem um switch para ativar o cancelamento de ruído e um rocker para mudar o volume, que parece surpreendentemente tosco. O topo tem a porta do fone de ouvido e botões agradavelmente firmes para play/pause, avançar e retroceder. Na parte inferior, fica a conexão USB proprietária. O botão hold é um grande switch semicircular nas costas do aparelho – parece estranho, mas eu gostei muito: é fácil de alcançar e bem sólido. Os numerosos botões de hardware tornam-no um tocador muito bom para ser controlado dentro do bolso, apesar de sua operação ser baseada principalmente na touchscreen.

O X Series é um dos poucos PMPs com cancelamento de ruído, mas ele funciona apenas com os earbuds que acompanham o aparelho. Felizmente, esses earbuds são excelentes para um produto que vem incluso no pacote, e o cancelamento de ruído funcionou perfeitamente na minha barulhenta viagem de ônibus entre Filadélfia e Nova York. O recurso massacra a duração da bateria, gastando-a duas vezes mais rápido do que o normal, mas é muito útil para mergulhar sua cabeça na música e esquecer os tipos malucos que costumam pegar o busão.

A qualidade do áudio é uma marca registrada dos PMPs da Sony, e o X Series de fato tem um ótimo som. Ele inclui um equalizador customizável de cinco bandas e alguns bons otimizadores de som, como o DSEE. Por outro lado, você está limitado aos codecs com perda de qualidade (lossy) suportados pelo aparelho (MP3, WMA, WMA-DRM, AAC), então ele pode não ser uma boa escolha para audiófilos sérios.

 
Interface de uso

A tela inicial tem uma familiar grade de ícones, que incluem Music, Movies, Photos, Podcasts e alguns aplicativos para o Wi-Fi, como Slacker, YouTube e Browser. Navegar pelas listas de artistas, canções e álbuns é muito similar ao estilo do iPod Touch, com “pinceladas” na tela, mas uma pincelada rápida faz a lista girar muito mais rapidamente do que no Touch, como se houvesse menos atrito virtual e talvez um pouquinho menos de precisão.

Na parte inferior da tela Now Playing, há quatro ícones que decidi chamar de Back, Navigate, Web e Options. Os ícones em si não dizem muita coisa: o Back é uma listinha de itens, e o Navigate é uma lupa, então as coisas são um pouco confusas no início. Mas depois que você os usa, a função de cada botão torna-se muito clara, e eu não tive problemas com isso.

O botão Navigate é ótimo: ele puxa uma lista contendo artistas, álbuns, canções etc., e você pode pular para essa lista direto, sem ter que apertar o Back quatro vezes. O iPod Touch não tem nada como isso, e agora eu gostaria que tivesse. O botão Web é muito legal também: ele chama uma tela que lhe permite procurar pelo nome da faixa, do artista ou do álbum no Yahoo! ou no YouTube. A busca do Yahoo! traz sites populares como Wikipédia e AllMusic, e a do YouTube imediatamente mostra vários clipes, gravações de shows e coisas mais. Muito legal. Estranhamente, o X Series lhe pede para reconectar-se a um sinal wireless toda vez que você faz uma dessas buscas, e apesar de ele lembrar a sua senha, é irritante.

O X Series inclui ainda rádio FM, e vale a pena mencionar isso porque é um dos sintonizadores FM mais fortes que já vimos em um PMP. Não vai mudar o que você pensa sobre rádio, mas faz um ótimo trabalho.

 
Web apps

O aplicativo do YouTube é mesmo ótimo, bem similar ao do iPod Touch ou do iPhone, mas com uma elegante skin preta para combinar com a estétia do X Series. Os vídeos carregam rapidamente e são muito claros – você assiste a eles sem problemas, se tiver uma conexão Wi-Fi sólida.

O Slacker é outra coisa legal do X Series: ele lhe dá acesso a versões gratuitas e pagas do serviço estilo Pandora  usando a mesma skin do resto da interface. É super-rápido para carregar, e a qualidade de som é excelente.

Infelizmente, o mais empolgante dos novos recursos é um grande fracasso: seu navegador de internet – baseado em NetFront, como os do PSP e dos aparelhos da Sony Ericsson – é um lixo completamente inutilizável. Toda entrada de texto é feita por meio de uma frustrante interface T9 (por que não simplesmente rotacioná-lo e usar um QWERTY em formato paisagem? Há espaço de sobra!) que é imprecisa e não ajuda em nada. Ela exige que você digite “http://www.” antes de cada URL. Mesmo que você tenha a paciência de sentar por dez minutos para digitar “http://www.gizmodo.com/”, o navegador abre sem enlouquecer apenas aqueles sites toscos especiais para mobile. Navegar por sites completos é um exercício infrutífero, já que os dois botões de zoom nem sempre funcionam, você não pode navegar por um site antes que ele seja carregado completamente, e pressionar links é impreciso e frustrante. Basicamente, ele é inútil como navegador web, o que é um grande desapontamento. Esta imagem resume bem a experiência de navegação da web do X Series:

 
Software desktop

O X Series oferece tanto modo MTP (apenas para Windows) quanto UMS (aparece como um drive, compatível com Mac e Linux), embora o UMS precise ser ativado antes de cada conexão. Isso significa que ele funciona com a maioria dos tocadores de mídia, salvo o iTunes. O software Media Manager, da Sony, vem incluído, mas ele é terrível, muito arcaico e difícil de usar, além de não converter vídeo a não ser que você pague pela versão Pro.

Por falar em conversão de vídeo, você precisará fazer muito, já que o X Series suporta apenas alguns codecs de vídeo – e nenhum dos formatos comumente usados pelos piratas (Matroska, XviD) está incluído, diferente do Samsung P3. Eu usei o Cucusoft e consegui colocar uns vídeos MPEG-4 no tocador, mas o usuário comum definitivamente terá problemas para resolver isso. Nenhum dos WMVs que eu testei funcionou, e eu não consegui colocar um vídeo com ótima qualidade de imagem para testar o que a tela de OLED é capaz de fazer. O iSquint para Mac funciona, mas a qualidade é desapontadora: em uma tela OLED como essa, você quer ser surpreendido pela qualidade de vídeo, e eu não fui.

O suporte a codecs de áudio também desaponta, levando em conta o magnífico desempenho sonoro do X Series: o único formato sem perda de qualidade (lossless) é o WAV, que ninguém usará devido ao tamanho dos arquivos. Além dos formatos lossless de preferência, codecs mais específicos como OGG também não são suportados. O tocador tem capacidades incríveis, mas a Sony o mutila ao limitar sua compatibilidade – ela poderia agradar ao mercado audiófilo, mas arquivos MP3 de 320 kbps não são o suficiente para isso.

 
Preço e conclusão

O X Series, de acordo com a Sony, é um gadget premium e, desta maneira, tem preços premium – coincidentemente, os mesmos do iPod Touch. A versão de 16 GB custa US$ 300, com a de 32 GB indo para US$ 400. A diferença é que o iPod Touch vem com uma grande App Store para trocentos novos recursos, sem mencionar um acelerômetro, um navegador web que não provoca saudades dos tempos do WAP, toneladas de acessórios e software que realmente funciona. O X Series simplesmente não pode competir com isso.

O X Series é um tocador sólido: o formato é legal, a tela é incrível, a qualidade de som e vídeo é tão boa quanto o possível, e ele vem com cancelamento de ruído embutido. Se fosse US$ 50 mais barato, eu não hesitaria em recomendá-lo no lugar do Samsung P3 ou do Cowon S9, mas se você vai gastar tanto, escolher Sony é optar pela máquina errada.

Por outro lado, nós achamos que a Sony teria sucesso se colocasse no mercado uma versão dele com telefone para concorrer com o Nokia XpressMusic. Talvez não chegue a ser um smartphone propriamente dito, não com esse formato, mas poderia ser um ótimo dumbphone baseado em música.

A Sony entende que PMPs não podem mais ser simplesmente PMPs: iPods básicos não vendem como costumavam vender, e o Touch é parte de uma plataforma de computação móvel. Mas apenas colocar uns recursos Wi-Fi sem pensar sobre expansão de software ou mesmo um navegador usável não é o suficiente nos dias de hoje. Infelizmente, apesar de todas as coisas boas do X Series, ele é um aparelho emblemático da atual inclinação da Sony para a mediocridade  desordenada. [Sony]

 
Touchscreen de OLED bonita e responsiva

Ótimo tamanho

Recursos extras legais, como cancelamento de ruído e YouTube

Excelente qualidade sonora

Interface de uso não é clara às vezes, mas tem mais opções do que a do iPod Touch

Duração da bateria está acima da média, mas nada muito empolgante

Navegador web é um lixo completo

Sistema frustrante de entrada de texto T9

Suporte limitado a codecs de áudio e vídeo, e a conversão de vídeo é um saco

Muito caro