Após o trágico acidente da sexta-feira que causou a explosão do avião espacial SpaceShipTwo da Virgin Galactic, engenheiros estão fazendo uma investigação para entender o que aconteceu no lançamento catastrófico. E um relatório da National Transportation Safety Board (NTSB), órgão responsável por investigar acidentes nos EUA, explicou que a nave acionou o sistema de freios cedo demais.

O chefe da comissão investigadora, Cristopher Hart, explicou que os estabilizadores da cauda da SpaceShipTwo foram estendidos antes do que deveriam. O órgão ainda não afirma que esse é de fato a causa do acidente, mas isso muda o foco da especulação de que o motor da nave foi a responsável pela falha. Como explicou Hart:



O que estou para dizer é uma declaração de fato e não uma declaração de causa. Ainda estamos longe de encontrar a causa. Ainda temos meses e meses de investigação para fazer, e há muitas coisas que ainda não sabemos. Temos fontes extensas de dados para analisar.

Análise de telemetria e vídeos da nave revelam que o sistema de “plumas” montado na traseira – que inclina as duas asas para cima para reduzir a velocidade do avião e levantar a barriga durante a reentrada — rotacionou alguns segundos após o foguete ser disparado. A NTSB disse que o copiloto — que morreu no acidente — moveu uma alavanca no cockpit para desbloquear as plumas da cauda. Hart explica:

Procedimentos convencionais de lançamento dizem que, logo após lançamento, ignição do foguete e aceleração, esses dispositivos de plumas não podem ser movidos – a alavanca de bloqueio/desbloqueio não deve ser movida para a posição de desbloqueio – até que a aceleração chegue a Mach 1.4. Em vez disso, como indicado, isso ocorreu a aproximadamente Mach 1.0.

No entanto, em operações convencionais, simplesmente desbloquear as plumas não deveria fazer com que um acidente ocorresse; um comando separado normalmente é exigido para liberá-las. Na sexta-feira, isso não aconteceu – elas se estenderam imediatamente sem comando. Mais da explicação de Hart:

Isso é o que chamaríamos de pluma sem comando, o que significa que ela ocorreu sem que a alavanca fosse movida para a posição certa. Após o desbloqueio, as plumas se moveram para a posição de ativação, e dois segundos depois vimos a desintegração.

Especulações iniciais sugeriam que o motor de foguete – que estava usando um novo tipo de combustível – podia ser o culpado, mas Hart explicou que ele estava operando normalmente até as plumas da cauda se estenderem. Detritos coletados próximos ao local do acidente mostram que o motor e os tanques de propulsão da SpaceShipTwo foram encontrados sem sinais de rompimento ou queima.

Questionado se isso aponta para um erro do piloto, Hart respondeu que sua equipe estava “observando diversas possibilidades, incluindo esta possibilidade,” Ainda é o começo da investigação, e a determinação da causa só deve ocorrer dentro de muitos meses. [Space Flight Now]