Ainda não sabemos o que aconteceu com o Zuma, o secreto satélite espião que não conseguiu chegar a órbita depois de ser lançado de Cabo Canaveral no início deste mês. A SpaceX insiste em dizer que o foguete Falcon 9 funcionou perfeitamente – uma afirmação com credibilidade, já que a Força Aérea dos EUA diz que não irá revogar o direito da empresa de foguetes de competir por contratos militares.

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Tudo pareceu ter ido bem durante o lançamento no dia 7 de janeiro, com relatórios iniciais sugerindo que o Zuma teria chegado com sucesso à órbita terrestre baixa. Mas nos dias seguintes ao lançamento ficou claro que algo de errado aconteceu, uma vez que o satélite foi declarado como “perda total”.

Essa missão multibilionária ainda é confidencial, então ainda é difícil encontrar informações. Parlamentares americanos foram notificados sobre a perda do satélite, mas virtualmente nada foi divulgado ao público. Em um e-mail ao Gizmodo, a SpaceX declarou:

Para clarificar: depois de revisar todos os dados disponíveis até então, o Falcon 9 fez tudo corretamente na data [7 de janeiro]. Se nós ou outros encontrarmos resultados diferentes em análises futuras, reportaremos imediatamente. Informações contrárias a este comunicado são categoricamente falsas. Devido a confidencialidade da carga, não é possível comentar mais.

Enquanto isso, Northrop Grumman – a companhia contratada pela Força Aérea americana para providenciar um adaptador para a carga – se recusa a comentar a situação, citando a natureza confidencial da missão.

Agora, como aponta a Bloomberg, a Força Aérea dos EUA tem mostrado muita confiança na SpaceX, dizendo ao portal de notícias que o foguete Falcon 9 “fez tudo corretamente”, e que, “baseado nos dados disponíveis, nosso time não identificou nenhuma informação que mudaria a atual certificação do Falcon 9 da SpaceX” depois de “uma análise preliminar da telemetria que nos foi disponibilizada”. Dito isso, oficiais da Força Aérea dizem que continuaram a “avaliar dados para todos os lançamentos”.

Obviamente que isso é uma ótima notícia para Elon Musk, cuja companhia foi certificada pela Força Aérea em 2015 para competir ao lado da United Launch Alliance/Boeing e Lockheed Martin Corporation em contratos militares. A SpaceX permanece elegível para participar de licitações para os 11 lançamentos de agora até o final do ano fiscal de 2019.

Mas enquanto o voto de confiança da Força Aérea americana parece bom para a SpaceX, não se pode dizer o mesmo do Northrop Grumman. A suspeita de que o adaptador de carga da companhia – um dispositivo que fisicamente separa o satélite da parte superior do foguete durante o lançamento – seja a parte que falha da missão parece mais plausível. Normalmente, a SpaceX providencia o adaptador, mas planejadores do Zuma insistiram que o dispositivo fosse fabricado pela empresa de defesa.

E apesar de todas essas informações, ainda não sabemos de fato o que aconteceu. Talvez o satélite não tenha tido impulso o suficiente para se separar, ou ele acidentalmente se colocou numa órbita que o atirou para longe da Terra. Ou, caso teoristas da conspiração estejam certos, o Zuma está intacto e funcionando perfeitamente.

[Bloomberg]