A Amazon segue em sua missão de redefinir as lojas tradicionais que ela ajudou a extinguir. Com a loja de conveniência Amazon Go, a companhia inaugura estabelecimentos sem caixas para pagamento. Mas inovação atrai imitadores, e uma startup emergente acredita poder equipar qualquer loja com seu sistema de rastreamento de itens por inteligência artificial a partir do ano que vem.

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A AiFi está desenvolvendo o sistema sem chamar a atenção desde 2016. Seus fundadores, Steve Gu e Ying Zheng, já trabalharam para a Apple e para o Google em grandes projetos como o 3D Touch e Google Glass. Nessa terça (27), eles passaram a promover seu trabalho em uma entrevista com o TechCrunch, e, se o que eles afirmam for verdade, a era de lojas sem caixas estará em breve entre nós.

Gu caracteriza a companhia como uma startup de inteligência artificial que está focada em lançar um sistema para lojas rastrearem consumidores e suas compras. Ele e uma equipe de 25 pessoas trabalham para aperfeiçoar uma rede de câmeras e sensores potencializados por uma inteligência artificial que permite ao consumidor entrar na loja, pegar um item, sair e ser automaticamente cobrado por um app em seu smartphone.

A Amazon lançou sua primeira loja sem caixas em janeiro, e as pessoas fizeram fila por todo um quarteirão para experimentar o que é fazer compras sem precisar esperar numa fila para pagar. Mas a loja da Amazon é bem modesta em tamanho. Gu conta ao TechCrunch que o sistema da AiFi pode rastrear “até 500 pessoas e dezenas de milhares de itens”.

Em um comunicado à imprensa, Gu escreve: “Nosso piloto será lançado em uma loja bem grande, muito maior que a Amazon Go, no final deste ano, e muitas outras grandes lojas serão lançadas a seguir para que milhares de consumidores possam experimentar o prazer de não precisar mais esperar em tediosas filas de pagamento”. De acordo com o TechCrunch, uma loja demonstração será aberta em San Francisco, e um “grande mercado” testará a tecnologia em Nova York no ano que vem. A companhia afirma que readaptar qualquer loja será uma tarefa relativamente simples.

A AiFi chama o negócio de uma “oportunidade de um trilhão de dólares” e isso não soa tão maluco. Cerca de 16 milhões de pessoas trabalham na indústria do varejo – isso é um custo alto para a folha de pagamentos. E a AiFi pretende continuar a fazer dinheiro com seus clientes varejistas ao vender assinaturas em vez de hardware, o que, inclusive, levanta a questão: quem terá acesso a todos os dados que a AiFi pretende usar para as compras personalizadas?

Perguntamos a um porta-voz da empresa se ela compartilhará os dados dos clientes, se tudo será anônimo e se estas informações poderão ser vendidas para terceiros, mas a empresa não nos respondeu de imediato.

Na medida que este custo humano começa a eliminar empregos, Gu se concentra na parte boa da coisa, dizendo ao TechCrunch que o sistema lidará com a “parte tediosa do emprego”, liberando “o trabalhador humano para fazer algo emocionalmente mais interessante ou criativo”. Deus sabe como gigantes varejistas se preocupam em não ter salário mínimo o bastante para contratar funcionários para tarefas interessantes e criativas.

Tenho de dizer que estou um pouco cético com as afirmações e cronogramas de Gu. A companhia ainda é jovem e arrecadou apenas US$ 4 milhões. É claro, a entrevista e comunicado à imprensa certamente foram projetados como uma cerimônia que atrairá mais dinheiro. Uma companhia grande como a Amazon teve problemas para aperfeiçoar o sistema e, por agora, está apenas tolerando alguns roubos que não são detectados. Se a AiFi está de fato a um passo de fazer algo comparável ou até melhor que o sistema da Amazon, varejistas vão se enfileirar para competir com seu nêmesis e dar início as lojas do futuro. Se divirta sendo perseguido por anúncios personalizados e nunca mais tenha a necessidade de interagir com um estranho de novo.

Imagem de topo: AiFi

[TechCrunchAiFi]