Muita gente não sabe, mas um quarto de todas as emissões anuais de gases de efeito estufa vem da indústria agropecuária, inclusive em uma quantidade superior à do setor de transporte.

Anualmente, cerca de 350 milhões de toneladas de carne são consumidas em todo o mundo, quantia esta que está aumentando a cada ano.

Para resolver a questão do acesso a proteínas, a startup americana Air Protein está tentando desenvolver um tipo de carne sustentável feita a partir do ar – mais precisamente, do dióxido de carbono (um dos gases de efeito estufa).

Inspiração na NASA

A empreitada é comandada pela física Lisa Dyson e o cientista de materiais John Reed.

Eles se basearam em pesquisas realizadas pela NASA, na década de 1960, que buscavam novas formas de alimentar astronautas em longas viagens espaciais, como a potencial ida até o planeta Marte.

Uma das ideias da agência espacial seria fabricar comida ao combinar micróbios com o dióxido de carbono exalado pelos astronautas.

Entretanto, como a viagem para o planeta vermelho não “decolou”, o projeto acabou sendo abandonado. É aí que entra a Air Protein.

Proteína de dióxido de carbono

Criada em 2019, a startup quer criar, por exemplo, bifes e filés de salmão artificiais.

Para isso, eles utilizam micróbios hidrogenotróficos dentro de um tanque de fermentação, que se alimentam de dióxido de carbono, além de uma mistura de oxigênio, minerais, água e nitrogênio.

O processo ocorre em questão de horas e é bem parecido como o iogurte é feito. Entretanto, em vez do líquido, o resultado final é uma farinha rica em proteínas, que tem um perfil de aminoácidos semelhante ao da carne.

O formato da carne seria conseguido a partir de técnicas culinárias – pressão, temperatura e cozimento – para gerar as diferentes estruturas e tendo o mesmo sabor bovino, suíno e, até mesmo, frutos do mar.

Além disso, a carne artificial possui mais proteína por quilograma do que qualquer outra fonte de carne e é rica em vitaminas, minerais e aminoácidos.

Carne artificial

O processo da carne artificial reduz o uso de água em 15 mil vezes em comparação com a carne bovina tradicional, além de reduzir em 1,5 milhão de vezes o uso de terra.

Além do benefício ambiental, a carne é livre de hormônios, antibióticos, herbicidas e pesticidas.

“Nossa tecnologia nos permitirá não apenas ter uma boa relação custo-benefício desde o início, mas também ter uma estrutura de custos que continua a diminuir”, afirmou Dyson.

Após conseguir levantar um investimento de 30 milhões de dólares de investidores, no ano passado, a startup diz que está tendo a ajuda de chefs de renome mundial para recriar a carne artificial e torná-la comercial.

Vale lembrar que a Air Protein não é a única a tentar resolver a questão da produção de proteinas. Recentemente, a startup Novameat afirmou estar desenvolvendo uma carne artificial feita de plantas e que é impressa em 3D.