A Suécia reabriu a investigação sobre as acusações de abuso sexual cometido pelo fundador do WikiLeaks, Julian Assange, realizada em 2010 por uma mulher. Assange não compareceu à justiça após ter pago uma fiança em junho de 2012, enquanto estava em Londres. Na mesma época, ele pediu asilo na embaixada do Equador, onde viveu por quase sete anos.

Eva-Marie Persson, diretora representante dos procuradores públicos da Suécia, anunciou a reabertura do caso de estupro em uma coletiva de imprensa em Estocolmo na manhã desta segunda-feira (13). O evento foi transmitido ao vivo no YouTube pela organização de notícias russa Ruptly.



“Depois de revisar a investigação preliminar […] a minha avaliação é de que ainda há causa provável para suspeitar que Assange cometeu estupro ou um delito menor”, disse Persson, conforme a tradução em inglês do intérprete da coletiva de imprensa.

Os procuradores irão buscar extraditar Assange para a Suécia, mas ainda não está claro se isso realmente irá acontecer já que ele também tem pedido de extradição para os Estados Unido devido a acusações de invasão de computadores pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Assange, australiano de 47 anos, é acusado nos Estados Unidos de ter ajudado Chelsea Manning a descobrir a senha de um computador governamental com materiais sigilosos em 2010.

Promotores suecos arquivaram uma acusação de agressão sexual, que não está relacionada com essa acusação de estupro e que foi apresentada por outra mulher, em maio de 2017. Isso foi feito porque não puderam interrogar Assange durante o seu asilo na embaixada equatoriana de Londres. A acusação já prescreveu.

“A decisão tomada […] de interromper a investigação, em 19 de maio de 2017, não foi motivada pela dificuldade relacionada à evidência, mas sim inteiramente baseada nas circunstâncias da época que proibiam o prosseguimento da investigação”, disse Persson.

O caso de estupro também foi suspenso porque os procuradores suecos não puderam interrogar Assange enquanto ele estava na embaixada. O prazo de prescrição da acusação de estupro na Suécia é em 17 de agosto de 2020.

O Equador revogou o asilo de Assange no dia 11 de abril e o fundador do WikiLeaks foi tirado à força da embaixada. Assange posteriormente foi condenado a pouco menos de um ano de prisão por procuradores britânicos por não ter pago uma fiança em 2012. Promotores dos EUA revelaram uma única acusação de invasão de computadores contra Assange, somente depois que ele foi detido pelas autoridades britânicas.

Persson deseja falar com Assange por uma chamada de vídeo para notificá-lo formalmente das acusações, conforme pede a lei sueca. Se Assange se recusar a se comunicar voluntariamente com as autoridades suecas por meio de um link de vídeo, agentes poderão visitá-lo na prisão no Reino Unido. De qualquer forma, os promotores desejam extraditar Assange para a Suécia para prosseguir com as acusações.

Curiosamente, os promotores suecos observam que o Departamento de Justiça dos EUA ainda não solicitou formalmente a extradição de Assange para os EUA, mas observam que tal pedido deve ser apresentado aos tribunais britânicos “o mais tardar” até 14 de junho. Assange recusou formalmente a extradição voluntária para os EUA em 2 de maio.

Persson destacou que, se Assange fosse extraditado para a Suécia, não seria mandado para um país terceiro como os Estados Unidos sem o consentimento explícito do governo do Reino Unido. Uma das razões pelas quais Assange disse que pediu asilo em Londres foi porque suspeitava que os procuradores americanos tentariam apresentar acusações contra ele sem relação com os casos de agressão sexual.

Assange está preocupado em ser acusado sob a Lei de Espionagem nos EUA e seus defensores observam que, ao contrário dos outros países desenvolvidos, os EUA ainda têm pena de morte. As autoridades equatorianas foram supostamente informadas pelo Ministério Público britânico que Assange não enfrentaria a pena de morte se o seu asilo fosse revogado. Os detalhes do acordo entre os governos britânico e equatoriano ainda não estão claros.

Os jornalistas perguntaram hoje aos procuradores suecos que tipo de provas podem ser apresentadas contra Assange, para além do depoimento da vítima. Persson recusou-se a discutir as provas específicas que podem existir, mas disse que havia causa provável suficiente para prosseguir com a investigação.