Mark Millar e John Romita Jr. fizeram uma simples pergunta no quadrinho de 2008 (e filme de 2010) Kick-Ass: por que os fanboys não se enfiam numa fantasia e tentam ser super-heróis?

Acontece que alguns resolveram levar a sério. Centenas, na verdade. Dando a cara a tapa, no melhor estilo "true believer".

Cosplay não é nenhuma novidade. Mas a sua variação, chamada de Real-Life Superheroes (Super-heróis da Vida Real) vai um tanto além. Visite o TheRLSH.net, um fórum onde os aspirantes a herói – aventureiros fantasiados que se descrevem como praticantes de "trabalho humanitário" ou simplesmente ajudantes daqueles que precisam – discutem os ossos do ofício, se organizam em Vingadores improvisados e discutem acaloradamente sobre mal-entendidos até se juntarem para dar cabo da situação. É sério: neste tópico, por exemplo, um justiceiro chamado Dark Ghost convocou seus colegas mascarados a encontrar um bebê de sete meses que teria sido sequestrado no Tennessee. Amazonia, Minuteman, Gadgetastic e The Sparrow se comprometeram a ajudar. (Mas no fim das contas a comunidade heróica não precisou se envolver, já que a polícia mesmo se adiantou e encontrou o sequestrador e a criança na Flórida.)

Esses caras obviamente não têm superpoderes, mas vamos combinar: o Batman também não tem. E assim como o Batman, o que lhes falta em poderes sobrehumanos, eles compensam com armamentos. 

Temos, por exemplo, uma equipe chamada New York Initiative, com base no Brooklyn, que apareceu esta semana na New York Press. Os quatro membros d’A Iniciativa – uma referência aos esforços de Tony Stark na era pós-Civil War, pré-Secret Invasion, de colocar um esquadrão de heróis em cada estado americano? – agem como halterofilistas com uma missão. E eles estão armados até os dentes (apesar de serem armamentos não-letais). 

Z, um dos membros, anda por aí com "cabos de machado gigantes cobertos com fita adesiva", além de uma bengala que serve como porrete. Ele também tem, na reserva, um arsenal de legalidade contestável que inclui estrelas de arremesso usadas por ninjas (shurikens) e, conforme descrito por Tea Krulos (autor da matéria no NY Press), "soqueira atordoante (que faz um barulho de choque bem alto), facas de arremesso e uma proteção com espinhos para as mãos que o Genghis Khan adoraria usar em uma luta". Um machado de batalha aparenta ser só para exibição. O especialista em gadgets do time, que atende pelo infeliz nome de Victim, está testando algumas placas de policarbonato para aumentar a resistência contra facas. Porque ser um herói significa que você vai ser esfaqueado uma hora ou outra. 

E parece que essa história de heroísmo improvisado não sai tão barata. A soqueira atordoante do Z, por exemplo, custa cerca de 50 dólares para disparar um soco-elétrico de 950.000 volts. 

Isso sem falar dos custos jurídicos com que você terá que arcar quando algum "supervilão" resolver meter um processo. A maioria dos municípios não curte essa história de justiceiros independentes, e menos ainda se estiverem armados com eletricidade. A justiça não tem sido bondosa nem mesmo com o uso policial de armas não-letais como o Taser, e você certamente não é um oficial da lei e ordem. 

Falando nos policiais: segundo a matéria de Krulos, quando a New York Initiative pergunta a eles se podem armar uma patrulha perto do Fulton Mall, no centro do Brooklyn, um membro da força policial diz a eles: "Nah, esquece issaí. Cê vai tomar tiro. Os caras nessa zona vão atirar em você e ninguém vai contar pra gente quem foi. Eles levam a sério essa coisa de ‘não dedurar’ por aqui." É a famosa honra entre ladrões. Então, vigilantes, a regra é clara: venham preparados e fiquem do lado certo da lei. 

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