No mês passado, o Reino Unido reportou o primeiro caso de gonorreia (doença sexualmente transmissível que pode causar inflamação na próstata, na uretra e no útero) super-resistente. Agora, há dois outros casos da chamada super gonorreia, desta vez na Austrália.

Na terça-feira (17), Brendan Murphy, do departamento de saúde da Austrália, anunciou a ocorrência de dois casos. Um paciente foi diagnosticado na Austrália Ocidental, enquanto o outro caso foi registrado em Queensland. Ambos estão sendo acompanhados pela autoridade de saúde local.

• A era da super gonorreia chegou

“A gonorreia resistente a remédios existe em muitos países, inclusive a Austrália”, disse Murphy em um comunicado à imprensa. “No entanto, estes últimos casos e um que teve recentemente no Reino Unido há um tempo parecem ser os primeiros reportados de gonorreia resistente a todos os tipos de antibióticos que geralmente são usados para tratar a enfermidade.”

O departamento de saúde da Austrália, infelizmente, não respondeu ao nosso pedido de maiores detalhes sobre as ocorrências.

Nossas defesas contra a bactéria Neisseria gonorrhoeae, que causa a gonorreia, ficaram estáveis por anos. Uma vez que o problema era tratado com a penicilina, a gonorreia eventualmente se tornava resistente a praticamente todas as classes de antibióticos disponíveis contra ela.

Em 2010, agências de saúde passaram a recomendar que médicos usassem uma combinação de tratamento — um antibiótico azitromicina por via oral misturado com uma classe de antibióticos por meio de uma injeção chamada cefalosporina. A sugestão serviu apenas para adiar o inevitável, pois sinais de resistência a antibióticos continuaram a crescer em todo o mundo.

Ao mesmo tempo, considera-se que antibióticos foram usados de forma indevida e descontrolada e que isso ajudou a criar superbactérias. O mau uso pode ter ocorrido em áreas mais pobres do planeta, onde antibióticos são facilmente acessíveis. Acredita-se que os casos da Austrália e do Reino Unido têm relação com viagens pelo sudeste asiático, uma região conhecida pelo turismo sexual e pela ocorrência de resistência a antibióticos.

Casos de gonorreia, no entanto, se tornaram mais comuns em todos os lugares, inclusive na própria Austrália nos últimos anos.

Cerca de 78 milhões de pessoas contraem a doença todos os anos — a gonorreia pode ficar escondida nos genitais, no reto e na garganta. Muitas pessoas têm, mas não apresentam sinais, embora sintomas incluam uma secreção genital verde ou amarela e dor ao urinar; nas mulheres, um sinal é o sangramento entre menstruações.

Se não for tratada, a gonorreia pode causar inflamação, infertilidade e tornar a pessoa mais vulnerável a outras doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids. Se passar da mãe para o filho no útero, pode causar defeitos no nascimento ou aborto espontâneo.

Há uma série de drogas em desenvolvimento para o tratamento de gonorreia resistente a antibiótico, mas a melhor estratégia contra qualquer doença sexualmente transmissível é fazer testes e usar preservativos na relação sexual.

[Australian Government Department of Health]

Imagem do topo por Joe Miller/CDC