Existe plástico demais no mundo — e estamos produzindo mais a cada dia, mesmo enquanto lutamos para encontrar uma maneira de nos livrarmos do material antigo. Um novo estudo apresenta uma solução interessante: derreter sacos plásticos e garrafas para transformá-los de volta no óleo do qual foi originalmente feito.

A nova pesquisa, publicada na quarta-feira (21) na Science Advances, analisa uma técnica chamada pirólise, que essencialmente derrete a poliolefina em sua forma original — isto é, petróleo e gás. As poliolefinas são um tipo muito comum de plástico em itens do dia a dia, desde canudos até embalagens, roupas íntimas térmicas e filmes plásticos. É responsável por dois terços da demanda mundial de plástico.

A produção desses tipos de plástico tem sido um grande benefício para a indústria de petróleo e gás e está dando aos produtores de combustíveis fósseis um vislumbre de esperança para o futuro; enquanto plásticos representam apenas 14% da demanda de petróleo hoje, projeções indicam que eles representarão metade da demanda mundial de petróleo em 2050.

O estudo detalha um novo tipo de técnica para tratar plásticos descartáveis ​​que, dizem os pesquisadores, pode quebrar todos os tipos de plásticos difíceis de reciclar — incluindo garrafas e bolsas de polietileno — em petroquímicos líquidos. Uma das coisas mais notáveis ​​sobre a nova técnica é que ela é capaz de quebrar o plástico em temperaturas mais baixas do que outros métodos de pirólise, o que ajuda a transformar o material em um combustível mais denso e usa duas a três vezes menos energia.

“A maioria dos trabalhos anteriores se concentra na pirólise que aquece o plástico a altas temperaturas de 400-800 [graus Celsius]”, disse por e-mail o autor do estudo Dionisios Vlachos, professor de engenharia química e biomolecular da Universidade de Delaware. “A demanda de energia é super alta.”

Essas técnicas de alta temperatura, disse Vlachos, quebram a maioria das ligações químicas no plástico, o que faz com que o produto final se pareça com gases leves como o xisto. Esta nova técnica, por outro lado, pode criar combustíveis líquidos com calor mais baixo — cerca de 225 graus Celsius — produzindo “combustíveis quase prontos para uso em carros, caminhões ou aviões e lubrificantes”, disse Vlachos.

Plásticos descartáveis, como sacolas, canudos e anéis de latas, são basicamente feitos para irem pro lixo logo após o uso. Essas coisas fáceis de serem descartadas representam metade das 300 milhões de toneladas de plástico produzidos no mundo todo a cada ano, então há muito trabalho a ser feito. É também o que mais está obstruindo o meio ambiente, à medida que pedaços maiores se quebram em microplásticos que podem representar uma ameaça para humanos, animais e ecossistemas.

Claramente, porém, transformá-lo em combustível não é uma cura para todos os nossos problemas ambientais. Basicamente, isso não vai conter as mudanças climáticas. Os combustíveis fósseis, é claro, emitem poluentes quando você os queima; usar um galão de petróleo derretido de um monte de Tupperware não vai mudar isso.

Ainda assim, há uma necessidade urgente de descobrir o que fazer com todo esse lixo de plástico que está obstruindo o planeta. Ele está poluindo os corpos d’água e matando a vida selvagem. Nosso melhor método atual de se livrar dele — simplesmente queimar o lixo — também libera emissões tóxicas e que aquecem o planeta.

Assine a newsletter do Gizmodo

Converter o plástico de volta ao material do qual foi originalmente feito pode não ser uma solução perfeita, mas com certeza é melhor do que nada (e potencialmente tem um bônus adicional de criar menos fluxos de receita para empresas de petróleo e gás à medida que encontramos maneiras de reutilizar as coisas que eles nos venderam). E agora é a hora, disse Vlachos, de dedicar esforços a técnicas de pesquisa como essas, antes que nosso vício em plástico fuja do nosso controle.

“Precisamos agir em relação ao problema do plástico e desenvolver tecnologias e políticas para eliminá-lo do meio ambiente”, disse Vlachos. “Pesquisas levam mais de 10 anos antes de se tornarem úteis. Investir neste campo agora é uma prioridade.”