O IBGE divulgou esta semana os dados sobre tecnologia da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) mais recente. Ela é feita regularmente desde 2005, e acompanha quantos lares brasileiros possuem TV, rádio, computador, internet e celular.

A pesquisa nos dá uma ideia mais detalhada do ritmo em que os brasileiros adotam – ou abandonam – certas tecnologias. Vamos dar uma olhada nos principais destaques.



Os dados se referem a 2013, porque o IBGE leva algum tempo para processar todos os dados. Foram 362.555 pessoas entrevistadas em quase 150 mil domicílios de 1.100 municípios. Analisar tudo isso demora um pouco!

Acesso à internet

Mais brasileiros estão acessando a internet, mas o número ainda não é tão alto. O número de pessoas que entraram na internet em qualquer lugar, nos três meses anteriores à pesquisa, era de 49%.

Isso vem aumentando ao longo dos anos, mas significa que metade da população ainda não acessava a internet – nem mesmo pelo celular.

Mesmo assim, tivemos avanços: 42% dos domicílios tinham acesso à internet pelo computador, o triplo do que víamos há uma década.

Pela primeira vez, a PNAD perguntou se as pessoas tinham acesso à internet pelo celular ou tablet. (Na pesquisa anterior, em 2011, smartphones e tablets ainda não eram tão comuns.) 4,1% das pessoas acessavam a internet apenas via dispositivos móveis e outros equipamentos (como smart TVs).

O meio mais popular de acesso à internet nos domicílios ainda era o computador (88%), seguido do celular (11%) e do tablet (0,4%). Apenas 11% dos domicílios tinham tablet, a maior parte na região Sudeste.

No entanto, alguns Estados dependem bastante de dispositivos móveis: no Amapá, Amazonas e Pará, 40% dos domicílios usam apenas celular ou tablet para entrar na rede. Nesses estados, mais de 80% dos domicílios possuem banda larga móvel.

Menos rádio, (ainda) mais TV

A porcentagem de domicílios com rádio vem caindo: há dez anos, eram quase 90% das casas; em 2013, esse número caiu para 76%. O uso do rádio ainda está longe de acabar, segundo outra pesquisa feita em novembro de 2014:

O número de pessoas que utilizam o rádio sete dias por semana aumentou: de 21% em março para 30%. O percentual que respondeu que não ouve rádio em nenhum dos dias da semana passou de 39% para 44%.

Apesar disso, nos dias de hoje, dos dispositivos móveis, o velho radinho de pilha ou ligado na tomada ainda é o modo preferido pelos brasileiros de ouvir notícias: 80% usam aparelhos de rádio tradicional e só 8% ouvem rádio quando estão no carro. Esse é o mesmo percentual de quem escuta rádio pelo celular.

Enquanto isso, a TV vem dominando cada vez mais os lares brasileiros, saltando de 91% para 97% nos últimos dez anos. Vamos dar uma olhada nisso em mais detalhe.

TV de tubo e digital

Em 2013, os televisores de tubo (CRT) ainda dominavam o país: 54,5% tinham apenas esse tipo de aparelho. Essas TVs podem receber sinal digital, mas precisam de um conversor.

Pedro Araújo, departamento de banda larga do Ministério das Comunicações, diz ao G1: “a gente acha que, por conta do efeito da Copa do Mundo, as pessoas não compraram TVs de tela fina em 2013 – deixaram para 2014, esperando as promoções.”

Segundo a Eletros (associação dos fabricantes de eletroeletrônicos), não se fabrica mais TV de tubo no Brasil: em 2013, foram 1.051 unidades; no ano seguinte, só 152.

TV analogica CRT
Foto por Neil./Flickr

A PNAD 2013 foi a primeira a questionar os entrevistados sobre TV digital. E como era de se esperar, o sinal digital ainda chega a poucos lugares: 31% dos domicílios, a maioria em áreas urbanas. (Nas áreas rurais, esse número despenca para 9%.) O governo planeja desligar totalmente o sinal da TV analógica até 2018, para liberar frequências para o 4G.

A TV por assinatura ainda é minoria no Brasil, presente em 29,5% dos domicílios em 2013. Nos EUA, esse número é de 84%, mas vem caindo aos poucos devido a serviços como Netflix e Hulu.

A antena parabólica continua sendo o principal meio para receber sinal de TV: ela está presente em 38% dos domicílios em geral (e em 78% nas áreas rurais).

A lenta morte do telefone fixo

Enquanto o celular vem se tornando mais onipresente entre brasileiros, o telefone fixo perde espaço nas residências. A proporção de domicílios com linha fixa caiu de 48% para 39%; enquanto o celular saltou de 59% para 90%.

É por isso que o esforço da Anatel em reduzir a tarifa de interconexão – que encarece ligações de celular entre operadoras diferentes – é importante. A agência também vem reduzindo as tarifas de ligações fixo-celular, que este ano ficaram até 22% mais baratas.

A pesquisa completa pode ser acessada aqui: [IBGE via Exame e UOL Tecnologia]

Foto inicial por Geraldo Magela/Agência Senado/Flickr