Algum número entre 45 mil e 200 mil pessoas morreram no terremoto no Haiti, a maior tragédia das Américas da história recente. Na tentativa de ajudar de qualquer jeito, o mundo inteiro mandou dinheiro: só os americanos "civis" já doaram mais de US$ 10 milhões apenas através de mensagens SMS (se todos os brasileiros que votam numa final de BBB pelo telefone doassem R$ 1, teríamos mais que isso). Mas esqueça os números enormes. É confortante ver por um momento o uso de tecnologia de maneira direta, como nesta foto.

Uma simples câmera telescópica consegue filmar uma vítima embaixo de escombros, auxiliando enormemente o resgate. Neste exato momento, no Haiti, os gadgets mais simples, como lanternas ou celulares, são os que mais ajudam a salvar vidas. 

Agora, uma (não tão) pequena digressão: eu tenho minhas dúvidas sobre o quanto que doações em dinheiro vindas de pessoas comuns para o governo do Haiti fazem sentido agora – especialmente pela já frágil situação do governo pré-desastre. Lembre, por exemplo, que o mundo se mobilizou tanto para mandar bilhões de dólares para as vítimas do Tsunami, que até hoje ainda há meio bilhão de dólares esperando serem empregados. O país fica tão em frangalhos que é difícil até gastar os recursos em dinheiro. É uma opinião minha, pode parecer meio drástico, mas acho que todo mundo tem de olhar com mais carinho soluções reais e imediatas que grandes números com cifrões. 

O que os haitianos precisam agora é de medidas práticas, como a do governo americano que mandou um navio hospital avançadíssimo com 550 médicos e enfermeiras. Ou os governos de São Paulo, Rio e Distrito Federal que mobilizaram alguns bombeiros e médicos para ajudar nos resgates; ou organizações, como o Viva Rio que já tem há anos uma missão lá e sabe usar os recursos, ou o supermercado Extra, que promete entregar as doações em alimento feitas em suas lojas – ao menos em duas lojas que visitei. O governo brasileiro enviou um avião C130 Hércules com instrumentos para criar uma rede de comunicação por satélite, ajuda importante na infra-estrutura emergencial.

O G1 compilou uma lista de como ajudar os haitianos. Se você sabe de alguma organização que consegue usar nosso apoio agora, compartilhe nos comentários. E gaste um tempinho, se você não conhece, para ler um pouco sobre Zilda Arns, uma das brasileiras mais importantes da nossa história que, como disse Roberto Pompeu de Toledo num belo artigo na Veja desta semana, morreu em combate, no Haiti.