O Rio de Janeiro recebeu nesta semana o TEDGlobal 2014, e, como esperado, entre todas as ideias e conceitos debatidos durante os três dias de evento, vários avanços tecnológicos foram abordados por diversos dos palestrantes. Eis alguns dos melhores momentos:


Tecnologia de Detecção de Câncer

Jorge Soto durante o TED



Foto: James Duncan Davidson/TED

Há cerca de um ano o mexicano Jorge Soto busca uma forma simples de detectar câncer em uma pessoa. E, logo no primeiro dia do TED, ele apresentou o protótipo da sua plataforma, que ele diz ser não-invasiva e de código aberto, além de capaz de detectar diversas formas diferentes da doença.

“Imagine que na próxima vez que você for ao seu médico, um técnico de laboratório leve algumas gotas de sangue e extratos de RNA”, ele disse. Esse técnico espalha a amostra de RNA em diversas placas com marcadores bioquímicos que buscam um RNA específico. Ao colocar em uma caixa de teste, isso é processado por uma reação específica que mede o brilho de cada biomarcador. Um smartphone é conectado à caixa de teste e fotografa as amostras – elas são enviadas para um banco de dados online para interpretação. Os microRNAs específicos são comparados em relação à reação ao longo do tempo com um banco de dados externo com os padrões para certos tipos de câncer. Em questão de uma hora, o paciente pode saber se está com a doença.

Por enquanto o teste está em fase de protótipo, mas é um protótipo funcional. A ideia é criar um teste fácil, barato e preciso para a doença. “A detecção de câncer deve ser democratizada”, diz Soto. “Eu quero ver o dia em que o câncer vai ser tratado facilmente por ser diagnosticado rotineiramente em estágios iniciais.” Nós também.


Telescópio Gigante de Magalhães

Wendy Freeman fala no TED

Foto: James Duncan Davidson/TED

Você se lembra do Telescópio Gigante de Magalhães? Falamos sobre ele ano passado, e Wendy Freeman esteve no TED para comentar um pouco mais. Vamos relembrar: no meio dos Andes, longe das luzes da civilização, um telescópio enorme será construído e entrará em operação na próxima década.

Ele será 20 milhões de vezes mais sensível do que os olhos humanos, com o tamanho da Estátua da Liberdade, sete espelhos de 8,2 metros de diâmetro e uma resolução 10 vezes maior do que a do Telescópio Espacial Hubble. Segundo Freeman, o Telescópio Gigante de Magalhães será fundamental para o futuro da astronomia. “Sempre que construímos telescópios maiores, aprendemos algo novo sobre o universo.”


Combate ao desmatamento na Amazônia e às emissões de carbono

Rodrigo Baggio durante o TED

Foto: James Duncan Davidson/TED

O desmatamento na floresta Amazônica é um problema gravíssimo que precisamos encarar de frente. Estamos falando de um floresta importantíssima para o mundo. Tasso Azevedo estudou as causas do desmatamento e possíveis formas de combate em nível federal e desenvolveu um plano com 144 itens que, em dez anos, diminuiu a taxa de desmatamento no Brasil em 75%. Um dos itens envolvia um sistema de monitoramento em tempo real das florestas, e isso ajudou na detenção de madeireiros ilegais.

Ainda há muito (muito mesmo) a ser feito, Tasso admite. Ele e sua equipe agora desenvolvem um plano para diminuir a emissão de carbono pelo mundo a partir daquilo que foi aprendido no Brasil. Esse plano consiste em quatro pontos básicos: desconectar o desenvolvimento da emissão de carbono, aumentar o preço do carbono, medir de onde e quando os gases do efeito estufa são emitidos, e trocar combustíveis fósseis por energia limpa. Difícil? Bastante, mas não impossível.


Comitê para a Democratização da Informática

Tasso Azevedo durante o TED

Foto: James Duncan Davidson/TED

Em 1995, Rodrigo Baggio criou na comunidade de Santa Marta, no Rio de Janeiro, um centro de inclusão digital, o Comitê para a Democratização da Informática. Quase 20 anos depois, já são 715 desses centros que treinam mais de 1,58 milhão de pessoas das classes mais baixas para aprenderem a usar a tecnologia em dez países pelo mundo.


Nicolelis e o exoesqueleto robótico

Miguel Nicolelis no TED

Foto: James Duncan Davidson/TED

Na abertura da Copa do Mundo de 2014, uma pessoa vestindo um exoesqueleto robótico deu um pontapé em uma bola. Nós falamos bastante disso na época. Miguel Nicolelis, o neurocientista responsável pelo projeto, esteve no TED contando um pouco de toda a história que levou ao chute no dia 12 de junho.

Ele trabalhou ao lado de 156 pesquisadores de 25 países diferentes no seu Walk Again Project. Nicolelis chamou o exoesqueleto robótico de “um presente para as 25 milhões de pessoas ao redor do mundo que não podem se mexer devido a lesão na medula espinhal.” Com o exoesqueleto, o pensamento da pessoa faz com que a armadura se mexa.


O mapa da corrupção no mundo

Mapa da Corrupção

Charmian Gooch é uma ativista anti-corrupção que criou o Great Ripoff Map, um mapa mundial que mostra como os crimes de corrupção afetam pessoas comuns ao redor do mundo. São crimes relacionados a sociedades anônimas, empresas sem vínculo com um nome específico.

Um exemplo apresentado por Gooch é no México. Os cartéis de drogas usam sociedades anônimas para lavar dinheiro ao comprar e vender cavalos de corrida, o que, segundo a ativista, “afeta a vida de milhares de americanos e mexicanos comuns.”

O Great Ripoff Map ganhará no futuro uma ferramenta para ajudar pessoas a colocarem uma história de corrupção e como ela afeta outras pelo mundo.


Hackeando o sistema político

Um app vai ajudar a população argentina a conhecer e opinar sobre propostas apresentadas pelo Congresso. É o DemocracyOS, criado por Pia Mancini.

“Os políticos e as leis têm uma linguagem que só eles entendem, e isso não é por acaso. É para manter o máximo de pessoas de fora deste sistema”, explicou Mancini à BBC. O DemocracyOS quer acabar com a barreira que separa a população do Congresso, e apresenta um resumo dos projetos de lei em linguagem acessível. As pessoas leem, refletem a respeito do que foi proposto e podem se posicionar a favor, contra ou se abster.

Mas como fazer políticos tradicionais aceitarem isso? Bem, com a criação de um partido. É o Partido da Rede. Os representantes eleitos pelo partido votarão de acordo com o que os seus eleitores falarem no app – quando eles se posicionarem a favor de uma lei, o representante vota a favor. Quando forem contra, eles serão contra. Como disse Mancini, “é a nossa forma de hackear o sistema político.”

Nas eleições legislativas de Buenos Aires em outubro do ano passado, o Partido da Rede não conseguiu eleger nenhum representante, mas fez barulho o suficiente para o Congresso rever suas posições. Agora o DemocracyOS será usado para discutir com a população três leis – não significa que a votação será de acordo com o que as pessoas decidirem pelo app, e sim que mais um canal de discussão entre parlamentares e cidadãos foi aberto em Buenos Aires. Uma grande vitória.

Imagem de topo: James Duncan Davidson/TED