Você já conhece o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que quer oferecer, a até R$35 por mês, planos de pelo menos 512Kbps – e quem sabe até 1Mbps – em cidades onde esse preço hoje é apenas sonho. Para o preço cair, o governo está estimulando a concorrência nessas cidades, através da Telebrás. É esta empresa que quer acabar com o monopólio das grandes empresas nas cidades pequenas. Mas qual é o papel da Telebrás no PNBL?

Rogério Santanna, presidente da Telebrás, explica isso no blog Link, do Estadão. Segundo ele, a banda larga no Brasil está nas mãos de poucas empresas: mais de 80% dos assinantes pertencem a apenas três empresas (Telefônica, Oi e Embratel). Para efeito de comparação, mesmo nos EUA, onde há monopólio das empresas Comcast e Time Warner em várias cidades, a concentração não é tão grande: as três maiores empresas detêm 57% do mercado.

O problema é que essas três empresas – Telefônica, Oi e Embratel – são as donas da infraestrutura de rede nas cidades onde são as principais provedoras de acesso. E, como diz Santanna, “quem tem as redes domina”. Aí entra a Telebrás: o governo terá uma rede concorrente, usando 10.000 dos 16.000km de fibra ótica já espalhados pelas regiões Nordeste e Sudeste. O Link fez um mapa da rede de fibra ótica a ser usada, além da forma principal como a internet chega às diferentes regiões do país; vale conferir aqui.

Então um provedor local de acesso tem pelo menos duas opções: ou aluga a rede da líder de mercado e oferece seus planos, ou aluga a rede da Telebrás e oferece o plano do PNBL (velocidade mínima a até R$35). Santanna diz que até mesmo as grandes empresas da banda larga poderiam usar a rede da Telebrás: “a Telefônica poderia ir para o Nordeste disputar com a Oi usando nossa rede” se quisesse, por exemplo.

Pelo PNBL, o plano básico de banda larga é de pelo menos 512Kbps – a velocidade mínima não foi decidida, e pode chegar a até 1Mbps – por R$35, ou R$29,90 onde o serviço tem isenção de ICMS. Isso pode parecer caro para você, mas vale ter um pouco de perspectiva. Empresas como a GVT têm serviço de alta velocidade a bom preço, mas em anos de atividade, eles decidiram oferecer seus serviços em apenas 89 cidades – o Brasil tem mais de 5.500 municípios. Milhares de cidades, se têm acesso à banda larga, dependem de um só provedor, que com seu poder de monopólio cobra preços bem altos. É para essas cidades – por exemplo, para estas 100 primeiras cidades que receberão o PNBL – que o novo preço pode mudar tudo.

O PNBL deve começar em breve. Santanna diz que os contratos essenciais já estão assinados, só falta terminar o acordo com a Petrobras e Eletrobras – empresas donas da rede de fibra ótica a ser usada pela Telebrás. O início previsto do PNBL era este mês, mas as primeiras cidades devem receber o PNBL em até quatro meses. Veja aqui mais detalhes sobre o funcionamento do PNBL. [Link/Estadão]