A Telefônica quer ocupar um espaço embaixo da sua TV com o OnVideo, sua caixinha mágica que acessa vídeos da internet e dos computadores da casa. A novidade, apresentada na ABTA 2010 que está rolando esta semana aqui em São Paulo, estará disponível em setembro por R$ 19,90 por mês. A ideia parece boa até.

O OnVideo, que tem saída HDMI/componente e entrada USB é do tamanho de um roteador pequeno e tem um HD de 160 GB. Ele não acessa a internet diretamente (até porque navegar com um controle remoto é um saco), mas acessa notícias do Terra TV e, em breve, Youtube. Através do recurso DNLA, ele pode se conectar à rede da casa e mostrar conteúdo (fotos, música e vídeos) gravados nos outros computadores. Mas a principal atração é a a comunicação com a locadora e loja de filmes digitais da Saraiva.

Hoje são cerca de 2 mil títulos, entre filmes, documentários e séries de TV. O preço da locação varia de R$ 3,90 e R$ 8,90 e a grande maioria, infelizmente, ainda está em definição padrão, não-HD, quanto menos Full-HD. Ao clicar no filme e confirmar o pagamento, ele começa a baixar e em cerca de 2 minutos já está reproduzindo o vídeo (baixando o resto enquanto você assiste). Os R$ 19,90 mensais são uma espécie de consumação de bar: se você consumir mais que isso (o que se consegue com 3 filmes lançamentos), paga de acordo com a tabela, que ainda é um bocado salgada.

A preferência pelo não-HD é explicada pela Telefônica, que quer que a experiência seja excelente em uma conexão de 2 MB e boa na de 1 MB. Hoje apenas a Saraiva fornece esse tipo de conteúdo (de novo, bem caro), mas a Telefônica não descarta ter mais de uma loja funcionando na mesma caixa. 

"Temos de prestigiar a Saraiva e privilegiar os caras que saíram do mundo físico para garantir que o futuro aconteça. Não temos contrato de exclusividade, queremos ter o máximo possível de opções – e a lógica que esse meio seja mais barato que o físico é óbvia: acredito que nos próximos meses, e não anos, vamos ter preços mais competitivos que o mercado tradicional", garantiu Fábio Bruggioni, executivo de Banda Larga residencial da empresa. 

Enquanto os set-top boxes do Google TV não chegam, parece uma alternativa interessante. Ainda precisamos saber alguns detalhes técnicos (como formatos de vídeo suportados – .mkv?), mas me o OnVideo pareceu bem ok pelo preço – resta saber se a conexão por trás dele, o cambaleante Speedy, segura a onda. Bruggioni garantiu que sim, citando a redução do número de reclamações no Procon – eram mais de 3 mil por mês no auge da crise, ano passado, agora são 500.

A Net também  deve mostrar em breve sua solução de vídeo por streaming, que terá uma tecnologia diferente e privilegiará a alta-definição. Do site da ABTA:

 

Aos poucos, a Net Serviços revela detalhes do seu serviço de vídeo on demand (VOD), a ser lançado em breve. De acordo com o diretor de produtos e serviços da operadora, Márcio Carvalho, o serviço de VOD não precisará armazenar conteúdos dentro do PVR do assinante nem mesmo precisará fazer buffer antes de permitir que o assinante assista ao conteúdo, uma vez que não será transmitido pela rede de banda larga. ‘Faremos o streaming direto para o decoder do assinante pelo cabo que leva o sinal da TV. Fazemos milagre. Além dos mais de 200 canais que o assinante tem no mesmo cabo, colocaremos mais uma série de canais dedicados para VOD’, revela Carvalho com bom humor. 

De acordo com o executivo, o serviço de VOD compartilhado no cabo coaxial é possível utilizando as tecnologias MPEG4 e DOCSIS3.0. Na prática, isso significa que todos os assinantes da Net que possuam set-top boxes de alta definição, com ou sem função de PRV, poderão utilizar o serviço on demand. 

É uma boa guerra para se acompanhar. E testar.