O telescópio espacial Hubble entrou em modo de segurança no final de semana, à medida que os cientistas tentavam descobrir o que fazer depois que um de seus giroscópios falhou. Mas esse ainda não é o fim do famoso telescópio.

É claro que é frustrante quando um equipamento tecnológico amado como o Hubble dá sinais de sua mortalidade. Porém, considerando a importância da missão, os cientistas têm um plano para o que é preciso fazer a seguir para manter o telescópio funcionando antes que seu sucesso, o telescópio espacial James Webb, decole.

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Na noite passada, a chefe da missão do telescópio espacial Hubble, Rachel Osten, confirmou rumores no Twitter de que outro dos seis giroscópios do telescópio falhou. Os giroscópios permitem que o telescópio, que está em órbita terrestre baixa desde 1990, detecte a rotação e se estabilize.

Foi um “fim de semana muito estressante”, Osten tuitou, mas existem planos para que o telescópio continue observando o cosmos.

Esquema do telescópio Hubble. Graphic: STSci

O Hubble precisa que três de seus giroscópios funcionem para poder continuar as operações normalmente. A BBC informa que ele tem três mais antigos e três mais novos. O giroscópio que falhou é o último dos mais antigos. Os cientistas do NASA Goddard e do Space Telescope Science Institute estão tentando ligar novamente um dos giroscópios mais recentes, mas ele está agindo de forma esquisita.

Esses giroscópios têm uma vida útil máxima e foram substituídos durante missões de reparo anteriores do Hubble. O giroscópio que falhou já havia excedido seu tempo de vida em seis meses, de acordo com Osten, e havia planos para desativá-lo meses atrás. Se apenas dois giroscópios permanecerem, a equipe do Hubble irá operar o telescópio usando apenas um giroscópio, tentando maximizar o tempo de observação possível.

“O Hubble é uma das maiores missões científicas da história e atuou brilhantemente durante 28 anos”, disse Grant Tremblay, astrofísico do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, em entrevista ao Gizmodo. “Parte da razão disso é que os cientistas e engenheiros que controlam o HST (Hubble Space Telescope) são especialistas em maximizar o tempo de vida da instalação. As falhas nos giroscópios iam acontecer de qualquer jeito e não são surpresa alguma. Existem muitos caminhos que levarão a muitos mais anos de grande ciência do Hubble.”

A BBC noticiou que a operação de um giroscópio só pode colocar alguns limites no campo observável pelo telescópio e que pode demorar mais tempo para mover o telescópio entre os alvos. O Gizmodo entrou em contato com Osten e com o NASA Goddard, e vamos atualizar o post quando tivermos uma resposta.

 

O envelhecido Hubble ainda tem trabalho a fazer. Seu sucessor, o James Webb, enfrentou diversos atrasos e agora está programado para ser lançado em 2021. Mas alguns sugeriram uma outra missão para manter o Hubble funcionando mesmo após o lançamento do James Webb. Ter os dois telescópios em órbita seria útil, porque o Hubble detecta principalmente luz visível e ultravioleta, enquanto o James Webb detecta principalmente luz infravermelha.

Kenneth Sembach, diretor do Space Telescope Science Institute, disse ao Gizmodo que o Hubble vai continuar em modo de segurança “por um tempo”, com as operações de ciência offline nesta semana, embora a equipe realiza uma investigação completa. Mas tudo que está rolando já era meio que esperado. “Acho que todo mundo esperava que nós encontraríamos problemas no giroscópio durante a missão”, disse. “É uma tradição do Hubble.”

Ele nos lembrou que o telescópio pode operar por muitos anos em um modo reduzido de uso de giroscópios. O plano é operar o Hubble o quanto for possível, talvez até 2025 ou mais. Embora isso seja a indústria especial e coisas inesperadas acontecem a todo momento, “eu nunca apostaria contra o Hubble”, finalizou.

Ainda não precisamos nos preocupar com a vida do Hubble. Ele está ficando velhinho, e isso significa que suas partes estão começando a cair. Mas cientistas estão trabalhando para trazer de volta um terceiro giroscópio ou para seguir em frente com um plano de contingência.

Imagem do topo: Hubble ESA (Flickr)