O telescópio espacial responsável por detectar 2.245 exoplanetas e outros 2.342 a serem confirmados está ficando sem combustível e pode ter apenas alguns meses restantes antes que suas luzes se apaguem. A sonda Kepler vai entrar para a história como uma das maiores ferramentas astronômicas já usadas para investigar o espaço.

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“Nossas estimativas atuais são de que o tanque da Kepler vão secar dentro de alguns meses — mas já fomos surpreendidos por seu desempenho antes”, escreve Charlie Sobeck, engenheiro de sistemas da missão da Kepler, em um comunicado da  NASA. “Portanto, embora esperemos que as operações de voo acabem em breve, estamos preparados para continuar enquanto o combustível permitir.”

Quando Sobeck diz que fomos surpreendidos pela Kepler antes, ele está se referindo a um incidente em 2013 que quase tirou a sonda de ação. Depois de sofrer uma falha mecânica, planejadores da missão conseguiram salvar o telescópio usando a pressão da luz do Sol para manter sua observação.

Essa segunda fase da missão, chamada de K2, exigiu que a Kepler olhasse para diferentes partes do espaço a cada três meses. A NASA se refere a esses ajustes trimestrais como “campanhas” e estimou que a Kepler tivesse cerca de dez campanhas restantes antes de ficar sem combustível. De maneira incrível, a fase K2 já completou 16 campanhas e está, atualmente, no meio de sua 17ª.

Retratação de um artista do KOI-961, um sistema planetário descoberto pela Kepler. Ilustração: NASA/JPL-Caltech

A Kepler está atualmente seguindo a órbita da Terra a uma distância de 151,27 milhões de quilômetros, então não é como se pudéssemos simplesmente enviar uma espaçonave para reabastecê-la. A equipe de Sobeck vai tentar extrair o máximo possível da Kepler nos próximos meses, garantindo que ela envie todos os dados que puder para a Terra. Uma vez que estiver sem combustível, os controladores d aKepler não conseguiram disparar os propulsores da espaçonave e configurar sua orientação para a transferência de dados.

O telescópio não está equipado com um medidor de combustível, então a equipe da Kepler procurará sinais de sua morte iminente, como queda de pressão no tanque de combustível ou desempenho enfraquecido de seus propulsores.

Em breve, a Kepler vai partir, mas astrônomos estudarão seus dados por anos. Como mencionado, existem ainda milhares de candidatos a exoplanetas que precisam ser confirmados. O que também pode te animar é saber que um substituto já está a caminho, o Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), que deve ser lançado do Cabo Canaveral, na Flórida, em 16 de abril.

[NASA, Kepler]

Imagem do topo: NASA