O lançamento desta terça-feira da SpaceX foi espetacular, tornando o Falcon Heavy o foguete mais poderoso do mundo e impressionando todos nós com os pousos sincronizados dos propulsores laterais. Blablablá, coisas espaciais históricas. Mas a carga levada foi o Tesla Roadster do próprio Musk, com um boneco vestindo trajes espaciais no banco do motorista.

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Então, nos perguntamos, se pudéssemos, de alguma maneira, trazer o carro de volta do espaço, ele ainda funcionaria?

A resposta é que é complicado. Mas, provavelmente, não.

“Se ele o trouxer de volta logo, não existe razão para não conseguir dirigi-lo”, disse Scott Bolton, investigador principal da missão Juno, que orbita Júpiter, em entrevista ao Gizmodo. Contanto que possamos, de alguma maneira, encontrar o carro e trazê-lo de volta logo. Mas o carro não está voltando logo. O Roadster vermelho brilhante está a caminho de uma órbita elíptica a 402 milhões de quilômetros da Terra, onde orbitará o Sol por centenas de milhões de anos. Talvez até bilhões, se conseguir evitar um choque direto com um asteroide ou uma colisão com Marte.

Primeiro, existe o óbvio vácuo do espaço. “Eu chutaria que algumas partes precisariam ser substituídas se o carro que eles lançaram fosse exatamente como os que eles vendem”, disse a astrofísica Summer Ash ao Gizmodo. “Qualquer coisa feita de borracha provavelmente congelaria e/ou racharia ao ser exposta ao vácuo do espaço, então acho que essas peças precisariam ser trocadas…” E os tubos podem explodir por causa da baixa pressão.

Bolton especulou que, talvez, se tivesse painéis solares, o carro conseguiria ser dirigido em Marte. Afinal de contas, ele não precisa de oxigênio como um motor de combustão precisa.

Mas, como disse Bolton, “uma hora ele será bombardeado por partículas de alta energia”. E isso é um problema. O Tesla Roadster é ium veículo elétrico com partes computadorizadas e uma bateria sensível. Sem proteção ou uma atmosfera para defendê-lo, os raios cósmicos e a alta radiação do Cinturão de Van Allen poderiam fritar o circuito. Não é um problema imediato, mas quanto mais tempo ele fica exposto à radiação, maior é a probabilidade de que os pequenos componentes elétricos se degradem. E o carro está indo diretamente na direção do cinturão, segundo a Inverse e o próprio Elon Musk.

Tem várias outras preocupações que uma fonte da NASA que pediu sigilo me contou, como o ciclo térmico — o aquecimento e o resfriamento desnivelados dos metais no carro, o que poderia levar a estresses não normalmente presentes na Terra. Ligações poderiam se quebrar, micrometeoritos poderiam acertá-lo, e os metais poderiam se colar por meio da sondagem a frio.

Diferentemente de nós, meros escritores online que assistiram a algo que custa muito mais do que nossos salários anuais ser lançado ao espaço, Musk não estava apreensivo. “Não estou preocupado com o carro”, afirmou em entrevista coletiva, segundo noticiado pelo Space.com. “Vai dar tudo certo, (essa é) a menor das minhas preocupações, eu espero.”