Quando você vê pessoas ou coisas, sempre há mais do que o olho consegue ver: a frequência cardíaca e fluxo sanguíneo de uma pessoa, por exemplo, ou pequenos movimentos de um objeto. Mas a maior parte disso é invisível para nós!

Por isso, uma equipe de cientistas do MIT criou um algoritmo para revelar esses movimentos invisíveis em vídeo. É fascinante, e você pode testar.

A equipe do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT criou um processo chamado ampliação Euleriana de vídeo. Ele usa vídeos filmados em câmeras comuns, e exagera movimentos que o olho humano não conseguiria notar, tornando-os muito mais evidentes.

O movimento invisível é capturado analisando-se cada pixel do vídeo, quadro a quadro. O pixel revela mudanças sutis de cor, e o processo de ampliação exagera essas cores para simular o movimento. Ou seja, uma pequena mudança se transforma em uma diferença mais visual.

Dessa forma, você pode ver o rosto de uma pessoa corando à medida que o sangue flui para a pele. Você pode tomar a pulsação de um bebê sem tocá-lo. O processo expõe um mundo que nenhum de nós consegue ver a olho nu.

Nós falamos sobre este processo em junho. Desde então, a equipe melhorou o algoritmo para obter resultados de melhor qualidade, mais exatos e nítidos. Além disso, eles publicaram o código – disponível aqui – para outros usarem o algoritmo no MatLab.

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E agora todos podem testá-lo no navegador web: a fabricante de laptops Quanta, que ajudou a financiar o projeto, permite que você envie vídeos em MP4 ou WebM para revelar o movimento oculto neles – basta acessar este link. Lá você também pode testar o algoritmo na galeria pública de vídeos, sem enviar um vídeo seu.

Para testá-lo, escolha o vídeo e:

  • altere a faixa de frequência (frequency range) para ficar entre 1.0 e 1.5;
  • mude a ampliação (amplification) para um valor como 50 ou 100;
  • clique na caixinha acima do botão “Go!”;
  • por fim, clique em Go!.

Espere alguns segundos, e surge abaixo o vídeo processado. Se você quiser ver os pequenos movimentos através de cores, basta selecionar a opção “Color” (em vez de “Motion”).

O algoritmo tem aplicações práticas na medicina, mas não só. Segundo o New York Times:

Os cientistas que o desenvolveram acreditam que ela também pode ter aplicações em indústrias como a fabricação e exploração de petróleo. Por exemplo, um técnico da fábrica poderia filmar uma máquina para verificar pequenos movimentos em parafusos que indiquem um colapso iminente.

Ver o invisível é mais do que impressionante: pode ser realmente útil. Não é à toa que a equipe foi inundada por e-mails de pessoas querendo usar o algoritmo agora mesmo. Isto já é possível – basta clicar no link a seguir: [Quanta Research via NY Times]