Existe um grande interesse em entender o que pode prever a expectativa de vida da população em geral. Já conhecemos diversos fatores de risco que podem ter impacto substancial na mortalidade. Por exemplo, fumar, falta de exercício físico e o aumento do índice de massa corporal são exemplos do que pode aumentar o risco de morrer precocemente.

A maioria dos estudos anteriores investigou um fator de risco por vez — e era geralmente limitado a um pequeno número de indivíduos participantes. No entanto, no primeiro estudo desse tipo, publicado no periódico The Lancet, comparamos diversos potenciais fatores de risco em um grande número de indivíduos no Reino Unido, e criamos uma ferramenta que pode ser usada por qualquer pessoa que tenha entre 40 a 70 anos de idade, a fim de calcular o próprio risco de morte dentro dos próximos cinco anos.

Além disso, usuários podem calcular a própria “idade UbbLE”: uma pontuação simples que usa informações do usuário para encontrar a idade média das pessoas que têm o mesmo sexo e o mesmo perfil de risco no Reino Unido.

Você pode calcular o seu risco de morte dentro de cinco anos, além da sua idade Ubble, usando nosso site interativo, desenvolvido em colaboração com o Sense About Science. Depois de responder cerca de uma dúzia de questões, a ferramenta calcula o seu risco de morte nos próximos cinco anos e sua idade Ubble.

Teste Ubble

Construindo a ferramenta

Examinamos e comparamos mais de 655 medidas de fatores demográficos, de saúde e de estilo de vida entre mais de 500.000 pessoas do UK Biobank com idade entre 40 e 70 anos. Então, usamos um modelo estatístico de sobrevivência para estipular a probabilidade dessas medidas levarem à morte por qualquer causa, além de seis outras causas específicas, para homens e mulheres.

Nós analisamos como cada medida previa a mortalidade usando algo chamado Índice-C. Quanto maior o Índice-C, mais precisa é a medida para discriminar entre aqueles que irão morrer e aqueles que não irão morrer nos próximos cinco anos. Um Índice-C de 50-60% é considerado uma previsão ruim, 60-70% moderada, 70-80% boa, 80-90% muito boa e acima de 90% é considerado uma previsão excelente.

Selecionamos as medidas mais previsivas, 13 para homens e 11 para mulheres, e as combinamos em uma pontuação de previsão. Por exemplo, selecionamos questões como: “Você fuma atualmente?” ou “Em geral, como você avaliaria a sua saúde?”.

A pontuação da previsão também é usada para calcular a idade Ubble, que é simplesmente a idade de um indivíduo médio do mesmo gênero do Reino Unido que possui os mesmos riscos previstos.

Por exemplo, se você é uma mulher de 53 anos e o seu risco de morte nos próximos cinco anos é de 2,4%, o risco mais semelhante nas tabelas do Reino Unido é de uma mulher de 56 anos. Então a sua idade Ubble é de 56 anos.

Teste Ubble - pergunta

Um questionário simples

Descobrimos que as variáveis que mais precisamente preveem a morte por todas as causas nos próximos cinco anos não precisavam de dados de um exame físico, e poderiam ser relatadas pelos indivíduos por meio de um questionário.

Por exemplo, pedir às pessoas que avaliassem a própria saúde em geral e descrevessem uma média do ritmo em que costumam andar eram duas das mais fortes previsões, tanto em homens e mulheres, para diferentes causas de morte. Descobrimos que a velocidade em que uma pessoa costuma andar (Índice-C de 72%) é mais importante para prever a morte nos próximo cinco anos do que o índice de massa corporal (Índice-C de 68%)

Descobrimos também que entre os usuários que nunca tiveram uma doença séria, dados sobre o hábito de fumar eram as previsões mais fortes para a mortalidade nos próximos cinco anos.

O nosso estudo permite comparar um grande número de previsões de causas gerais e específicas de mortalidade de uma forma que nunca foi feita antes, além de permitir que as pessoas usem estes dados para se conscientizarem da própria saúde. Profissionais da saúde e organizações também podem usá-los para identificar indivíduos de alto risco.

Limitações

O nosso site foi avaliado por diversos grupos de auditoria, incluindo cientistas e representantes de organizações de saúde e financiadores, além também de indivíduos do público em geral.

Entretanto, existem algumas limitações em nosso estudo. Os participantes do UK Biobank não representam a população completa do Reino Unido, por serem mais prósperos e possuírem mortalidade menor. Nós abordamos este aspecto em parte ao recalibrar a pontuação das previsões usando dados do censo do Reino Unido. Também apenas estudamos o risco de morte nos próximos cinco anos, e não sabemos dizer como a previsão se sairia buscando além destes cinco anos previstos.

Finalmente, a ferramenta é um previsor e não pode se referir a causalidade. Os previsores de mortalidade mais eficientes são correlacionados, não comprovados como causalidade. Por exemplo, caminhar devagar é uma forte previsão de morte, mas caminhar de forma acelerada não quer necessariamente dizer um risco menor de morte. Fumar e morrer, no entanto, é uma das poucas coisas que sabemos ser relacionadas pela causalidade.


Erik Ingelsson é professor de Epidemiologia Molecular na Universidade de UppsalaAndrea Ganna é pesquisadora no Karolinska Institute. Este artigo foi originalmente publicado no The Conversation. Leia o artigo original aqui.

Foto por Andreanna Moya/Flickr