O aplicativo de vídeos virais curtos TikTok (que ainda não foi banido dos EUA, aliás) está se tornando o improvável novo lar quem quer falar um pouco mais sobre como é a experiência de participar dos testes das vacinas contra COVID-19.

Uma busca pela hashtag #CovidVaccine, que tem quase 40 milhões de visualizações, traz vários vídeos de cientistas e médicos desmascarando campanhas de desinformação sobre o vírus, além de participantes de testes contando como é o processo, segundo uma reportagem da NBC News do fim de semana.

Ashley Locke teve milhões de visualizações em seus vídeos que documentam o processo. Ela tem 29 anos e diz que seu teste com a vacina da AstraZeneca começou em 16 de novembro na cidade de Nashville, Tennessee.

Um post em que ela aparece recebendo sua primeira injeção como parte do estudo tem cerca de 2,8 milhões de visualizações, mas você pode pular se tem medo de agulha (eu definitivamente senti meu estômago revirar enquanto via).

Ela só saberá se aquela injeção foi a vacina real ou um placebo no final do estudo, mas disse à NBC que tem estado ocupada respondendo a uma enxurrada de perguntas e comentários sobre o ensaio que recebeu nesse meio tempo.

@ashealoImagine not wanting a vaccine! #covid19 #vaccinetrial #vaccine #vaccineswork #nashville♬ original sound – AL🌿

“Já vi pessoas postarem TikToks sobre diferentes jornadas, como perder peso ou mudar de escola e coisas assim, então eu estava, tipo, este teste de vacina é uma coisa interessante. Vou postar sobre isso”, disse Locke em entrevista ao canal. “Talvez algumas pessoas achem isso interessante.”

A farmacêutica AstraZeneca está desenvolvendo a vacina junto com pesquisadores da Universidade de Oxford. A candidata deles demonstrou ser 70% eficaz na proteção contra o vírus, embora um erro do fabricante em testes de fase III tenha levantado preocupações sobre a confiabilidade desses resultados.

É uma das três vacinas experimentais que supostamente mostraram resultados promissores nas últimas semanas, juntamente com as desenvolvidas pelas empresas de biotecnologia Moderna e BioNTech, esta última em parceria com a fabricante de medicamentos Pfizer.

Como observa a NBC, outros usuários do TikTok também postaram vídeos em que dizem compartilhar suas próprias experiências de teste da vacina contra COVID-19. Os especialistas começaram a ganhar fama também, com médicos e cientistas postando vídeos que desmascaram informações erradas sobre vacinas e comparam as diferenças entre alguns dos testes de vacinas.

A Dra. Kate Bredbenner, especialista em ciências biomédicas com foco em biofísica, postou um vídeo em 11 de novembro que já teve 3,6 milhões de visualizações, em que ela fala sobre como a vacina experimental da Pfizer afetaria o novo coronavírus. Ela disse à NBC que, embora alguns apoiadores do movimento antivacina tenham aparecido aqui e ali para deixar comentários desagradáveis, em sua maior parte, sua seção de comentários está repleta de usuários curiosos que só querem aprender mais.

“Isso me faz sentir tão bem. As pessoas estão genuinamente tendo conversas reais e fazendo perguntas, e acho que isso é meio mágico”, disse Bredbenner em uma entrevista ao canal.

No vídeo de Locke sobre sua primeira injeção, ela disse que fará check-ins regulares e exames de sangue pelos próximos dois anos para monitorar quaisquer efeitos colaterais. Ela disse à NBC que planeja gravar uma sessão de perguntas e respostas com os médicos sobre o teste na próxima vez que voltar.

“Conversei com o diretor de comunicação [da Clinical Research Associates]. Na próxima vez que eu entrar, poderei fazer algumas das perguntas que não sou capaz de responder. Vou poder perguntar aos meus médicos e espero tê-los em meus vídeos para serem um pouco mais informativos e responderem mais algumas daquelas coisas científicas que eu não sei, mas ainda de uma forma clara e fácil para o nosso público”, disse Locke.

O TikTok não respondeu ao pedido de comentários feito pelo Gizmodo.

A pandemia de coronavírus se alastrou por muito mais tempo do que a maioria das pessoas esperava, especialmente nos Estados Unidos, onde ciência básica e precauções de saúde se tornaram questões políticas, então não é surpresa que as pessoas estejam ansiosas para descobrir como podemos derrotar essa doença. Até o momento, houve mais de 62 milhões de casos de coronavírus e 1,4 milhão de mortes em todo o mundo, incluindo mais de 266.000 apenas nos EUA, de acordo com pesquisadores da Johns Hopkins.

Outra questão é quando a vacina estará disponível. Na terça-feira (24), o secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Alex Azar, disse que uma vacina contra COVID-19 poderia ser distribuída “logo” depois de ser aprovada para autorização de emergência pela Food and Drug Administration (FDA), o que poderia acontecer em 10 de dezembro.

A Pfizer anunciou na semana passada que estaria buscando a aprovação de emergência para sua vacina, que parece ser 95% eficaz na prevenção da doença de acordo com os testes da empresa. Portanto, uma vacina a tempo para o Natal não está totalmente fora de questão, mas considerando como tem sido esse ano de 2020, eu olharia para esse cronograma com grande ceticismo.

[NBC News]