A Theranos foi fundada em 2003 e anos depois lançou um serviço que prometia testes sanguíneos “milagrosos”: uma única picada no dedo poderia fornecer resultados para mais de 200 tipos diferentes de exames.

A startup começou a ser questionada em 2015, após uma reportagem do Wall Street Journal e, de alguma forma, ainda conseguiu resistir até agora, apesar das diversas irregularidades.

• A empresa que promete testes sanguíneos “milagrosos” está sendo questionada nos EUA
• Bill Gates alerta que 30 mi de pessoas podem morrer se não evitarmos uma pandemia de gripe

A empresa, no entanto, notificou seus acionistas que será dissolvida, conforme indica uma nova reportagem do WSJ. Os últimos ativos da companhia serão utilizados para pagar alguns credores quirografários (que não possuem garantias de receber seus créditos) – embora seja provável que a empresa já não tenha muita coisa de valor.

A Theranos, que alegou ter inventado uma linha de máquinas de testes sanguíneos capaz de realizar exames complicados com apenas uma gota de sangue, era uma grande fraude.

A companhia conseguiu levantar US$ 900 milhões em investimentos e alcançou uma avaliação de mercado de US$ 10 bilhões, mas sua tecnologia nunca funcionou.

Os testes que a empresa realizava eram tão irregulares e aleatórios que o CMS (Centro de Serviços de Cuidados de Saúde e Medicamentos, em tradução livre) concluiu que a companhia colocou muitos pacientes em risco.

A farsa foi revelada e a Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos (SEC) acusou a CEO, Elizabeth Holmes, e o ex-presidente da companhia, Ramesh Balwani, por uma “grande” fraude civil. Depois desse episódio, a companhia demitiu, em abril de 2018, os 125 funcionários que restavam.

Em junho, Elizabeth Holmes apareceu em reportagens que diziam que ela pretendia abrir outra empresa, apesar da determinação da SEC que impedia durante uma década que ela fosse uma responsável por uma empresa de capital aberto.

Holmes já foi comparada ao fundador da Apple, Steve Jobs, tanto pela sua abordagem nos negócios como também pela sua preferência por camisetas pretas de gola alta.

Algumas pessoas como o investidor Tim Draper ainda pareciam dispostos a dar uma segunda chance a ela. John Carreyrou, o jornalista que ajudou a desmascarar a empresa com uma série de reportagens, disse à Vanity Fair em junho que Holmes tinha “tendências sociopatas” e via ela mesma como uma vítima de uma equipe incompetente e de jornalistas agressivos.

Alguns dias depois, um júri federal indiciou Holmes e Balwani por fraudes criminosas, o que aparentemente colocou um ponto final nessas novas ambições. O julgamento ainda vai acontecer, mas não há indícios de que Holmes sairá dessa totalmente ilesa.

[Wall Street Journal]

Imagem do topo: Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos. Crédito: Greg Allen (Invision/AP)