Tim Cook, Mark Zuckerberg e outros líderes tech estão se pronunciando contra a decisão do presidente Donald Trump, nesta quinta-feira (1), de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, no qual 177 nações se comprometeram a reduzir suas emissões de carbono. Cook dirigiu-se a funcionários em um email interno, enquanto outros CEOs fizeram seus comentários em redes sociais.

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Apple, Facebook, Microsoft e muitas outras empresas de tecnologia tiveram dificuldades em determinar como seria sua relação com a administração Trump, e pareceu, pelo menos nas semanas seguintes à eleição, que a indústria iria se insinuar ao presidente eleito, nas esperanças de assegurar acordos de taxas e legislação amigável aos negócios.

Cook, Sheryl Sandberg, do Facebook, e Satya Nadella, da Microsoft, todos estiveram em uma reunião com Trump antes do início de seu mandato, enquanto o CEO da Tesla, Elon Musk, e Travis Kalanick, do Uber, se juntaram a alguns dos conselhos consultivos de Trump. Embora Kalanick eventualmente tenha se demitido do conselho, Musk continuou, defendendo que teria mais chances de manejar o pensamento do presidente se mantivesse sua função. Musk renunciou ao cargo no conselho nesta quinta, após o anúncio de Trump sobre o Acordo de Paris.

Os posicionamentos de Trump sobre a imigração e a mudança climática começaram a colocá-lo contra os executivos que um dia ele elogiou como excepcionalmente talentosos. Centenas de empresas de tecnologia assinaram um amicus curiae se colocando contra as proibições de viagens de Trump; nesta quinta, os líderes tech condenaram sua decisão sobre o Acordo de Paris.

Em um email aos funcionários da Apple obtido pelo Gizmodo, Cook disse que conversou com o presidente Trump na terça-feira e tentou convencê-lo a manter os Estados Unidos no acordo. “Mas não foi suficiente”, escreveu Cook.

Cook prosseguiu, reafirmando o comprometimento da Apple com o meio ambiente e a energia renovável:

Nós abastecemos quase todas as nossas operações com energia renovável, que acreditamos ser um exemplo de algo que é bom para o nosso planeta e que faz sentido como negócio também.

Continuaremos trabalhando em direção aos ambiciosos objetivos de uma cadeia de fornecimento de circuito fechado e de, um dia, parar de extrair completamente novos materiais. É claro, continuaremos trabalhando com nossos fornecedores para ajudá-los a fazer mais para abastecer seus negócios com energia limpa. E continuaremos nos desafiando para fazer ainda mais.

Mark Zuckerberg prometeu compromissos parecidos de energia renovável em um post no Facebook.

“Retirar-se do Acordo de Paris é ruim para o meio ambiente, ruim para a economia e coloca o futuro de nossas crianças em risco”, escreveu. “De nossa parte, nos comprometemos que todos os novos centros de dados que construirmos serão abastecidos 100% por energia renovável.”

Como Cook, o presidente da Microsoft, Brad Smith, disse que sua empresa fez lobby para que a administração Trump permanecesse no acordo, tentando persuadi-lo de que havia uma “vantagem empresarial” ao fazê-lo.

“A Microsoft acredita que a mudança climática é um problema urgente que demanda ação global. Temos um compromisso duradouro com a sustentabilidade, que inclui operar 100% neutros em carbono e determinar metas para aumentar a quantidade de energia limpa para abastecer nossas operações”, Smith escreveu em um post. “Todos vivemos em um pequeno planeta, e todas as nações precisam trabalhar umas com as outras para protegê-lo.”

Se as tentativas de Trump de barrar imigrantes de países muçulmanos não foram um alerta suficiente para a indústria, suas ações nesta quinta devem ser. Como Musk parece ter aprendido, um lugar à mesa não ajuda muito se ninguém na mesa estiver escutando. Líderes da indústria de tecnologia terão que encontrar outras maneiras de defender as causas com que se importam, porque parece que o presidente-empresário não está muito impressionado por elas.

Imagem do topo: Getty Images