O imbatível gigante de encontros online Match Group, subsidiária da holding InterActiveCorp, adquiriu tantos sites de namoro que alguns críticos se perguntam por que a empresa não está enfrentando ações antitruste. Mas a jóia da coroa em seu império é mesmo o aplicativo Tinder. No ano passado, ele ganhou 1,2 milhão de assinantes e arrecadou quase tanto dinheiro quanto suas outras subsidiárias juntas, incluindo Match.com e OkCupid, de acordo com os resultados do quarto trimestre de 2018 divulgados na quarta-feira (6).

Segundo o Verge, o aumento de assinaturas fez com que o Tinder fechasse o ano com uma surpreendente receita de US$ 805 milhões – quase a mesma coisa que o valor combinado das receitas de Match.com, OkCupid e outras marcas, que receberam juntos US$ 872 milhões. Isso está bem acima da receita de 2017 do aplicativo, que foi de cerca de US$ 400 milhões.

No total, o Match Group faturou cerca de US$ 1,73 bilhão em 2018, ante US$ 1,33 bilhão em 2017, e o lucro líquido atribuível a seus acionistas foi de US$ 478 milhões em 2018, acima dos US$ 350 milhões em 2017.

O Verge escreve que o Match Group informou que a grana do Tinder foi impulsionada por sua expansão no exterior, assinaturas do Tinder Gold e algo chamado “Tinder U” (para estudantes universitários) que soa bastante esquisito para mim agora que eu estou perto dos 30:

O Match diz que a maior parte do crescimento da receita do Tinder é graças ao Tinder Gold, que oferece aos membros certos recursos exclusivos, como mais Super Likes por dia, a capacidade de percorrer o mundo e insights sobre quem já deu like em seus perfis. O Tinder também tem como objetivo concentrar-se em uma faixa etária mais jovem de 18 a 22 anos através do Tinder U, a parte voltada para a universidade do aplicativo. A empresa está se expandindo fora dos EUA, com foco no Japão, Índia e Coréia do Sul também.

Ou as pessoas estão mais excitadas do que nunca, o que parece duvidoso dada a totalidade da história humana, ou elas estão tão excitadas como sempre estiveram, mas sem lugares para ir sem ser os apps do Match Group.

Este ano, o Match Group fez parceria com uma marca de mídia chamada Betches para lançar outro aplicativo chamado Ship. Ele é voltado para mulheres e permite que os usuários criem grupos de amigos que podem ajudar a sugerir possíveis correspondências para eles.

Em 2018, a empresa e o aplicativo de encontros também centrado em mulheres Bumble (um de seus únicos concorrentes de destaque, sem levar em conta aplicativos para nichos específicos, como o FarmersOnly) se envolveram em uma batalha judicial desagradável após um acordo fracassado de aquisição e acusações de violação de patente e roubo de segredos comerciais.

Embora ainda estivesse enterrado naquela bagunça, o Match Group comprou a Hinge, que se vende como um serviço premium para relacionamentos e não apenas para encontros.

Aparentemente, o Match Group acha que não pegou gente suficiente. Em seu relatório do quarto trimestre, ele observa que dados internos indicam que as pessoas usam uma média de quatro aplicativos de namoro. A empresa gostaria de garantir que “todos os quatro sejam oferecidos por ela mesma”, escreve o Verge.

Embora o relatório do quarto trimestre tenha superado as expectativas dos analistas, o futuro pode ser mais complicado. A CNBC informa que Kunal Madhukar, analista do Deutsche Bank, projetou esta semana que o crescimento de assinantes do Tinder vai desacelerar nos próximos 12 meses, apesar de sua popularidade nos EUA e na Europa Ocidental, já que “poderia levar tempo e muito esforço para converter o potencial universo endereçável em assinantes”.

“Ainda há muito estigma associado ao namoro on-line em muitos países fora da América do Norte e Europa Ocidental, e o estigma associado a relacionamentos casuais pode ser ainda maior”, escreveu Madhukar, acrescentando que o Tinder também “se inclina desproporcionalmente para os homens em um grande número de países”.

[The Verge]