Tragédia de Beirute está entre as dez maiores explosões acidentais da história

Cientistas calcularam a força da explosão que devastou Beirute em agosto, descobrindo que ela está entre as maiores não nucleares da história.

Um dos 16 vídeos da explosão em Beirute usados ​​no novo estudo. GIF: Borzou Daragahi / Twitter / Gizmodo

Analisando vídeos enviados às redes sociais, cientistas calcularam a força da explosão que devastou a cidade de Beirute em agosto, descobrindo que ela está entre as maiores não nucleares da história humana.

Quando um armazém no porto de Beirute, no Líbano, explodiu durante o verão no hemisfério norte, ele liberou o equivalente a entre 500 toneladas e 1,12 quilotoneladas de TNT, de acordo com uma nova pesquisa publicada na revista científica Shock Waves.

Isso é algo entre 3% e 7% da força produzida pela bomba atômica detonada em Hiroshima, que liberou uma energia de explosão igual a 15 quilotons de TNT. Consequentemente, a explosão em Beirute agora está entre as 10 maiores explosões não nucleares acidentais de todos os tempos.

Cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas no porto de Beirute explodiram em 4 de agosto de 2020, resultando em 200 mortes e mais de 6 mil feridos. A onda de choque resultante danificou edifícios e casas em uma vasta área, deixando quase 300 mil pessoas desabrigadas.

Para calcular o rendimento explosivo, uma equipe liderada por Sam Rigby, do Grupo de Pesquisa de Engenharia de Explosão e Impacto da Universidade de Sheffield, rastreou a velocidade da explosão enquanto ela rasgava a cidade. Eles fizeram isso analisando mais de uma dúzia de vídeos enviados às redes sociais, todos os quais capturaram uma visão razoavelmente clara da explosão e pontos de referência visíveis.

Um estudo preliminar da mesma equipe estimou a liberação da energia da explosão em algo entre 1,0 e 1,5 quilotons de TNT, mas ele se baseava em um conjunto limitado de vídeos. O novo trabalho é mais abrangente, pois inclui 16 vídeos de alta qualidade que atenderam aos critérios da equipe: uma visão direta da explosão, marcos identificáveis ​​(incluindo de onde o vídeo foi feito), áudio e vídeo sincronizados, uma visão do armazém antes da detonação e encerramento da filmagem após a chegada da onda de choque.

Mapa mostrando as localizações dos 16 vídeos usados ​​para a análise (sim, um vídeo feito ao lado do armazém conseguiu sobreviver). Imagem: S. E. Rigby et al., 2020 / Ondas de choque

Rigby e seus colegas estimaram o tempo de chegada da onda de choque em 38 locais diferentes na cidade. Usando o Google Earth, a equipe mediu a distância do depósito até cada um dos locais. Os cientistas usaram leis bem estabelecidas de propagação da explosão para estimar o rendimento aproximado da explosão, chegando ao limite inferior de 500 toneladas de TNT e um limite superior razoável de 1,12 quilotons de TNT.

Esta estimativa está de acordo com pesquisas semelhantes, nas quais os cientistas usaram dados hidroacústicos e sísmicos para medir o rendimento explosivo.

A quantidade de energia liberada durante a explosão de Beirute foi de cerca de 1 GWh, o que é suficiente para abastecer cerca de 100 casas por um ano, de acordo com um comunicado da Universidade de Sheffield. O texto descreve o evento como “uma das maiores explosões não nucleares já registradas”.

A tragédia de Beirute é considerada a sexta explosão acidental não nuclear mais poderosa da história, de acordo com uma página da Wikipédia sobre o assunto.

O número um nesta triste lista é uma explosão que aconteceu em Halifax, Nova Escócia, Canadá, em 6 de dezembro de 1917. Esta horrível explosão de tempos da guerra ocorreu quando dois navios colidiram no Porto de Halifax, inflamando TNT, ácido pícrico, combustível benzol e outras cargas altamente inflamáveis.

A energia liberada nesta explosão, que matou cerca de 2 mil pessoas, é de 2,9 quilotons de TNT, ou um quinto do tamanho da bomba atômica usada em Hiroshima. Até 1945, a explosão Halifax permaneceu a maior explosão de fabricação humana registrada na história.

Uma imagem de Halifax após a explosão de 1917. Ilustração: William James/Wikimedia

O novo estudo pode ser usado para referência futura, como informar as equipes de socorro sobre prováveis ​​lesões e danos estruturais em várias distâncias do ponto zero, de acordo com os pesquisadores.

“Depois de ver o desenrolar dos eventos, queríamos usar nossa experiência em engenharia de detonação para ajudar a entender o que havia acontecido em Beirute e fornecer dados que pudessem ser usados ​​para ajudar a se preparar e salvar vidas em eventos desse tipo, caso eles voltem a acontecer”, disse Rigby no comunicado.

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