Em 2007, no fim de semana de estréia de Tropa de Elite, de José Padilha, todos sites e revistas especializadas já tinham suas críticas feitas. Muito mais do que isso, um mar de gente – mais especificamente, 11 milhões de pessoas, segundo o Ibope –  já discutia se o filme era ou não exagerado, se era bom ou não (e 80% das instituições de ensino do Brasil já havia sido dominada por piadas como “não vai subir ninguém”). Tudo por conta de uma cópia vazada do filme, que dominou os camelódromos do Brasil por meses. Já era de se esperar que a continuação do filme teria um forte esquema de segurança, não?

A pré-estréia do filme em Paulínia, no último dia 5, mostrou bem o que os produtores queriam: os convidados, no alto de seus ternos, gravatas e vestidos, tiveram que ser revistados e guardar seus celulares em envelopes pardos, que seriam entregues no final. Ninguém poderia filmar, fotografar ou fazer qualquer tipo de registro do filme. José Padilha já tinha deixado claro sua posição mais cedo, numa coletiva de imprensa: “eu vi gente dizendo loucuras, que o pirata foi estratégia de divulgação nossa. O que a gente sofreu foi um roubo!”. O filme ficou conhecido, mas o resultado nas salas de cinema não passou perto do esperado: apenas 180 mil pessoas viram o primeiro filme na telona em seu fim de semana de estréia. Como disse a jornalista Daniela Prandi, o caso da pirataria trouxe fama, mas não fortuna aos produtores.

Eis que, em 2010, Tropa de Elite 2 bate Titanic como a estréia mais vista no país, com 2,4 milhões de espectadores nos cinco primeiros dias de exibição. O número, tão diferente de seu antecessor, tem suas explicações. Se os diretores reforçaram a segurança numa sessão de gala, como em Paulínia, o mesmo efeito tem sido visto em salas de cinema. Segundo Marcos Prado, produtor do filme, pelo menos 5 pessoas foram detidas tentando gravar o filme em sessões. Outra solução foi o número de salas: se em 2007 o primeiro filme estreou em 171 salas, sua continuação está em 636 salas, número recorde do cinema nacional. Os produtores perceberam que o primeiro filme era mais fácil de ser encontrado nas ruas e quis inverter o processo. Pelo visto, conseguiu.

Ou seja, não saia de casa para ver o filme com uma filmadora na mochila, a coisa pode ficar chata para você. E dessa vez, quando você for discutir o filme, possivelmente será com alguém que viu o longa na telona. Se você quiser, é possível achar versões de 200MB pela internet – é impossível escapar 100%, da pirataria, certo? – mas recomendamos uma visita ao cinema para ver o grande blockbuster brasileiro de 2010. E lembre-se: ele foi filmado para ser visto no cinema, com câmeras para a telona e com áudio para uma grande sala. Se você baixar um torrent com imagem e som captados na sala, você perde parte dos direitos de falar bem ou mal de um filme. Pelo menos numa discussão comigo, claro. [Folha]