O presidente dos EUA, Donald Trump, parece estar disposto a aliviar a tensão com a China e planeja emitir, em breve, licenças que permitam que algumas companhias norte-americanas forneçam produtos considerados “não sensíveis” à Huawei, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

De acordo com os relatos,  a autorização para começar a emitir tais licenças foi sinalizada por Trump durante uma reunião na semana passada. As permissões serão concedidas apenas a algumas empresas selecionadas.

Em um e-mail ao The New York Times, um porta-voz do Departamento de Comércio dos EUA, responsável pelas licenças, disse que “até o momento, o status quo se mantém”.

Apesar da medida poder ser vista como um gesto de “boa ação”, seus efeitos práticos podem ser limitados, conforme aponta o jornal. Algumas empresas norte-americanas já vêm adotando estratégias para contornar o banimento imposto pelo governo e continuar a fornecer produtos para a Huawei.

Algumas fornecedoras, por exemplo, evitam identificar seus produtos como de origem norte-americana ou canalizam mais produtos fabricados fora dos Estados Unidos para a gigante chinesa.

Essa também não é a primeira vez que Trump promete liberar algumas empresas a continuarem a fornecer para a Huawei. Em junho deste ano o presidente dos EUA já havia dito o mesmo durante uma reunião com o presidente chinês Xi Jinping, causando uma confusão e oferecendo falsas esperanças.

Huawei, China e EUA

A Huawei está proibida de fazer negócios com empresas dos EUA desde maio, quando o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que incluiu a companhia chinesa à chamada Lista de Entidades do Departamento de Indústria e Segurança (BIS, na sigla em inglês).

Essa foi a atitude mais drástica depois de anos de tensões. A Huawei foi acusada de fornecer equipamentos não confiáveis de telecomunicações e, por isso, proibida de fazer negócios com agentes do governo norte-americano.

Além disso, a empresa foi processada pelos EUA por roubo de segredos comerciais, fraudes e obstrução de justiça. Ela processou de volta, alegando que a proibição de negócios era inconstitucional sem o devido processo legal.

Outro ponto marcante da tensão foi em dezembro de 2018, quando a diretora financeira da empresa, Meng Wanzhou, foi presa no Canadá a mando dos EUA, sob acusação de violar sanções econômicas contra o Irã. Ela aguarda um processo de extradição para os EUA. Meng Wanzhou é filha de Ren Zhengfei, fundador da Huawei.

Vale lembrar que China e EUA estão em meio a uma guerra comercial desde 2018, com tarifas sobre importações sendo aplicadas.

[The New York Times]