Quando o presidente norte-americano Donald Trump anunciou tarifas na importação de ferro e alumínio (as quais ele posteriormente suavizou), ele fez com que grandes segmentos da economia americana – incluindo as indústrias automotiva, de aviação e da construção – entrassem em pânico. No entanto, parece que essas taxas eram apenas o início de um plano que irá impor US$ 60 bilhões em tarifas anuais de produtos importados da China.

Trump dá sinais de que não acredita no aquecimento global e tira EUA do Acordo de Paris
Trump quer encerrar orçamento da Estação Espacial Internacional em 2025

O objetivo, conforme Trump acredita, ajudaria a reduzir o déficit comercial com a China, que atingiu o seu maior nível em 2017: US$ 375,2 bilhões. Conforme aponta o TechCrunch, Trump disse:

“Nós perdemos, em um pequeno período de tempo, 60 mil fábricas no nosso país – fechadas, encerradas, perdidas. Seis milhões de empregos, pelo menos, perdidos. E agora eles vão começar a voltar.

[…] A palavra que quero usar é ‘recíproco’. Quando eles cobram 25% para um carro entrar [na China] e nós cobramos 2% para o carro deles entrar nos EUA, isso não é bom. Foi assim que a China se reconstruiu.”

Uma lista completa dos bens que podem ser afetados pelas tarifas ainda não foi publicado (ele deve ser divulgado dentro dos próximos 15 dias), mas ela deve atingir “tudo, desde sapatos a roupas e eletrônicos”, com um foco potencialmente significativo na indústria tecnológica, de acordo com o TechCrunch. Além disso, Robert Lighthizer, representante do comércio americano, fez recomendações ao Comitê de Finanças do Senado quanto às tarifas de veículos elétricos, frete de alta tecnologia e da indústria aeroespacial vindos da China.

Apesar do plano proposto não mencionar qual o tipo de impacto que isso poderá causar em gadgets como smartphones e laptops, existe uma boa chance de que importantes fabricantes chineses, como a Huawei (a terceira maior fabricando de celulares do mundo) ou a Lenovo (a segunda maior fabricante de PCs do mundo), sintam uma grande desvantagem competitiva. E é possível que custos elevados seriam repassados aos consumidores. No pior dos cenários, usando os 25% mencionados por Trump, o preço do fantástico notebook Yoga 920, que é vendido a partir de US$ 1.300, receberia um aumento de US$ 325, tornando o preço inicial do aparelho US$ 1.625, efetivamente colocando a Lenovo fora do mercado.

No Brasil, a situação tende a ser ainda pior, visto que o preço dos eletrônicos em nosso mercado é baseado no valor em dólares. Assim, se o custo aumenta lá, ele aumentará aqui também – será que vamos ver o primeiro celular que custará mais de R$ 10 mil? Eu sinceramente espero que não.

Não é claro se as tarifas afetaram produtos como os iPhones da Apple, que são fabricados na China e então enviados aos EUA para serem vendidos pela empresa americana. Trump pode abrir uma exceção para a Apple, como ele anteriormente fez para ferro importado da Europa, Canadá, México e outros “aliados”. Entretanto, como o presidente se referiu à China como um “inimigo econômico” no passado, não há como saber como ele irá agir.

Como a vasta maioria de tecnologia em muitos dos nossos eletrônicos vem da China, existe uma chance de que essas tarifas façam todos os tipos de dispositivo custarem mais, o que certamente não será bom para ninguém.

[TechCrunchNew York Times]