Donald Trump, presidente dos EUA até dia 20 de janeiro, está permanentemente banido do Twitter — a plataforma pela qual ele ficou conhecido por utilizar como principal veículo de comunicação. A rede social justifica sua decisão dizendo que é para “evitar o risco de futuras incitações à violência”.

A decisão se dá após a invasão do Capitólio, como é conhecido o Congresso dos EUA, durante a sessão que confirmaria Biden como o novo chefe de estado do país. Trump já havia sido suspenso do Twitter por 12 horas. O presidente também está suspenso do Instagram e Facebook até dia 20 de janeiro, e do Snapchat por tempo indeterminado. Ele também teve seus vídeos removidos do YouTube.

Para o Twitter, o fato de Trump ter tuitado que não iria à posse de Joe Biden em 20 de janeiro, mesmo após ter sido suspenso por 12 horas e testemunhado à invasão do Capitólio, é indício de que o presidente seguiu violando as regras da plataforma. Os tuítes, diz a empresa, “precisam ser lidos no contexto dos grandes eventos do país e das formas de como essas declarações podem ser usadas por diferentes audiências, inclusive como forma de incitar a violência”. “Depois de avaliar a linguagem desses tuítes e averiguar que eles vão contra nossa política de glorificação da violência, o usuário @realDonaldTrump deve ser imediatamente e permanentemente banido do serviço.”

“No contexto dos eventos horríveis desta semana, deixamos claro na quarta-feira que violações adicionais das regras do Twitter poderiam resultar neste tipo de ação. Nossa estrutura de políticas de interesse público existem para permitir que o público ouça autoridades eleitas e líderes mundiais. Ela é construída no princípio de que todos têm o direito de prestar contas abertamente”, diz a empresa. “No entanto, nos últimos anos deixamos claro que essas contas não estão acima de nossas regras e não podem usar o Twitter para incitar a violência, entre outras coisas. Continuaremos a ser transparentes com nossas políticas e suas aplicações”.

A decisão vem após 350 funcionários do Twitter mandarem uma carta interna a vários executivos da empresa, incluindo o CEO Jack Dorsey, pedindo para a empresa parar de enrolar, respirar fundo e puxar a corda da guilhotina. Os funcionários exigiram que os líderes do Twitter explicassem por que permitiam que Trump violasse constantemente as regras do site com total impunidade e solicitaram uma investigação dos erros de moderação que eles acreditaram ter contribuído para  o ataque ao Capitólio.

A carta, que foi analisada pelo Washington Post, diz: “Apesar de nossos esforços para servir ao debate público, como megafone de Trump, ajudamos a alimentar os eventos fatais de 6 de janeiros. Exigimos uma investigação sobre como nossas decisões de políticas públicas levaram à ampliação dessas sérias ameaças anti-democráticas. Precisamos aprender com nossos erros para evitar causar danos no futuro. Desempenhamos um papel sem precedentes na sociedade civil e todos os olhos do mundo estão sobre nós. Nossas decisões essa semana irão cimentar nosso lugar na história — para pior ou melhor”.

Apoiadores do presidente alegam que suspensões e bloqueios são censura. No entanto, especialistas ouvidos pelo Gizmodo Brasil alegam que direito à liberdade de expressão não é absoluto e que medidas restritivas são permitidas em casos de ameaças institucionais.

Colaborou: Tom McKay