Em breve, o Twitter será conhecido também como TWTR: este será seu código na bolsa de valores. Nós provavelmente não compraremos ações da empresa, mas o IPO significa que ela precisa revelar vários dados sobre usuários, finanças e mais. Vamos a eles.

O Twitter possui 215 milhões de usuários ativos por mês (contra mais de 1 bilhão no Facebook), e 75% acessam a rede social através de um dispositivo móvel. Por dia, são 100 milhões de usuários ativos.

E quantos desses usuários são fakes ou contas de spam? Apenas 5% dos usuários mensais, estima o Twitter, o que parece muito pouco. A empresa reconhece, no entanto, que baseou esse número em uma amostra e o número “pode ser maior do que estimamos”. Vai que eles acharam que Carina Santos, um bot brasileiro, era um usuário real…

twitter ipo

A receita do Twitter vem crescendo muito nos últimos anos, saltando de US$ 28 milhões em 2010 para US$ 317 milhões em 2012. Mas como eles ganham dinheiro? Com propaganda, é claro! 85% vêm de anúncios, e o restante vem de licenciar dados de usuários (como você!) para outras empresas.

Para crescer, o Twitter conta com o Brasil. O país é citado duas vezes no registro do IPO: a empresa diz que focou seus esforços em vendas e marketing por aqui – a sede local foi inaugurada no final de 2012 – e planeja “aumentar o tamanho da nossa equipe… na Austrália, Brasil, Irlanda e Holanda”.

É notável que o Twitter gasta muito desse dinheiro em P&D (pesquisa e desenvolvimento): só este ano, 44% da receita foram para essa finalidade. E eles dizem que os gastos vão aumentar “para melhorar os nossos produtos e serviços para os usuários e anunciantes, além de fazer crescer nossa base de usuários ativos, a fim de enfrentar os desafios competitivos em nosso setor”.

Este é um dos motivos para a empresa nunca ter obtido lucros. Ano passado, eles sangraram quase US$ 80 milhões. Este ano, até junho, foram mais US$ 69 milhões em perdas.

Mas por que alguém investiria em uma empresa que só dá prejuízo? Por dois motivos: primeiro, o Twitter possui US$375 milhões em caixa – eles não precisam se preocupar tanto em gastar com P&D, por exemplo. E segundo, porque eles querem se reinventar para o futuro, transformando-se em uma empresa de mídia. Como nota Nick Bilton do New York Times, a palavra “media” é uma das mais citadas no registro do IPO.

Eis como o Twitter se descreve:

O Twitter é uma fonte primária de informações, e complementa a mídia tradicional como uma segunda tela, melhorando a experiência global de um evento, permitindo aos usuários compartilhar a experiência com outros usuários em tempo real. Acreditamos que isso faz do Twitter a trilha sonora social para viver no momento.

No entanto, o Twitter precisa de mais investimentos. É por isso que eles vão entrar na bolsa de valores: com o IPO, a empresa deve arrecadar até US$ 1 bilhão. E isso vai deixar os acionistas do Twitter (ainda mais) ricos. Entre eles, temos:

  • dois dos três cofundadores do Twitter, Evan Williams e Jack Dorsey;
  • o presidente do Twitter, Dick Costolo;
  • o ator Ashton Kutcher, que investe em diversas empresas de tecnologia;
  • o príncipe Alwaleed bin Talal da Arábia Saudita;
  • o bilionário Richard Branson, que fundou as empresas Virgin Records (gravadora), Virgin Mobile (telefonia móvel); Virgin Atlantic (turismo espacial), entre outras.

Claro, uma oferta pública de ações tem seus riscos, especialmente quando a empresa depende de redes sociais. A Zynga, dona do FarmVille, despencou 62% desde sua estreia na bolsa; enquanto o Facebook teve problemas após o IPO e chegou a perder metade do valor de mercado.

Resta ver como o Twitter, criado em 2006, se sai na bolsa de valores. Ainda não há data para sua estreia. [SEC via Valleywag e GigaOM]