O Twitter anunciou na sexta-feira (9) mudanças que têm como objetivo limitar a disseminação de conteúdos com informações erradas acerca das eleições de 2020, mesmo que tais conteúdos venham de dentro da Casa Branca.

Os ajustes estão entre os mais agressivos feitos por uma grande plataforma de rede social para combater a desinformação relacionada às eleições até o momento. Mas com o futuro da democracia norte-americana ameaçada pela tempestade de tuítes de Donald Trump e poucas semanas até o dia da eleição, o que nos resta é cruzar os dedos para que isso traga algum resultado.

A primeira mudança na plataforma inclui a adição de avisos de “informações enganosas” quando os usuários tentarem retuitar; os usuários também serão encorajados a citar o tuíte – ou seja, adicionar seus próprios comentários a um tuíte considerado “discutível” – em vez de simplesmente retuitar as informações enganosas sem contexto adicional. O Twitter não o impedirá de simplesmente compartilhar informações incorretas, mas espera que o “atrito extra” o faça pensar duas vezes antes de fazê-lo.

O Twitter também adicionará rótulos de advertência aos tuítes com informações incorretas de contas nos Estados Unidos com mais de 100.000 seguidores ou tuítes que estão se tornando virais. Ele fará o mesmo com figuras políticas dos EUA, incluindo os próprios políticos (Trump e seus lacaios) e campanhas (Trump, novamente). Os usuários terão que clicar na etiqueta de aviso para ver o tuíte, e os likes e retuítes serão desabilitados, permitindo apenas tuítes com citações.

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Além disso, os algoritmos do Twitter responsáveis ​​pelos “curtido por” e “seguido por” que invadem sua timeline – que inserem conteúdo e contas de segunda ordem nos feeds dos usuários – estão sendo encerrados, pelo menos por enquanto. “Isso provavelmente vai desacelerar a velocidade com que tuítes de contas e tópicos que você não segue possam chegar até você, o que acreditamos ser um sacrifício que vale a pena para incentivar propagações mais conscientes e explícitas”, escreveram os executivos do Twitter Vijaya Gadde e Kayvon Beykpour no blog da empresa.

Finalmente, chegamos aos trending topics, que historicamente tem sido uma avalanche de horrores sem fim. O Twitter diz que agora adicionará contexto adicional – como artigos resumindo um tópico específico – para cada tópico que aparece na página “Para você” para usuários nos Estados Unidos. A empresa começou a adicionar este contexto a alguns trends no início deste ano.

A maioria das mudanças começará a ser implementada em 20 de outubro e permanecerá em vigor pelo menos até o final da semana de 3 de novembro. As mudanças provavelmente são temporárias.

“O Twitter desempenha um papel crítico em todo o mundo, fortalecendo a conversa democrática, impulsionando a participação cívica, facilitando o debate político significativo e permitindo que as pessoas cobrem aqueles que estão no poder”, escreveram Gadde e Beykpour. “Mas sabemos que isso não pode ser alcançado a menos que a integridade desse diálogo crítico no Twitter seja protegida de tentativas – tanto estrangeiras quanto domésticas – de miná-lo.”

As mudanças do Twitter seguem as de outras plataformas importantes com o objetivo de limitar a disseminação de desinformação relacionada a eleições. Tanto o Facebook quanto o Google suspenderão a publicidade política após o encerramento das urnas em 3 de novembro, com o primeiro suspendendo adicionalmente os anúncios políticos e de questões sociais na semana anterior à eleição; O Twitter suspendeu os anúncios de políticos e campanhas totalmente no final do ano passado, mas outros grupos continuam capazes de veicular anúncios com base em questões específicas na plataforma. É claro que os anúncios são a menor de nossas preocupações quando são as postagens regulares diretamente do comandante do país que tendem a causar mais danos.

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Devido a uma dependência histórica da votação por correio durante a pandemia de covid-19 em curso, é improvável que os Estados Unidos saibam quem será o próximo presidente na noite de 3 de novembro, ou mesmo nos dias ou semanas seguintes. Trump e o vice-presidente Mike Pence se recusaram a concordar com uma transferência pacífica de poder (o rival democrata Joe Biden prometeu ceder pacificamente se perder), e é nos momentos frágeis entre o fechamento das urnas na noite da eleição e a contagem de votos sendo certificada que temos que nos preocupar com ele falsamente alegando vitória.

Trump poderia tentar roubar a eleição em qualquer plataforma, mas todos nós sabemos onde o presidente norte-americano prefere operar. Nesse sentido, os esforços parecem destinados ao fracasso: tanto o Twitter quanto o Facebook dizem que irão adicionar um “rótulo” ao conteúdo que afirma falsamente a vitória na eleição. Nada impedirá essas afirmações de serem repetidas, capturadas e transmitidas no noticiário noturno. Se isso é o melhor que temos, você pode começar a planejar sua rota de fuga agora.