O Twitter anunciou que restringirá o alcance de contas e publicações ligadas à teoria da conspiração QAnon. Segundo um porta-voz da rede social, as medidas devem afetar cerca de 150 mil contas.

A QAnon é uma teoria da conspiração ligada à extrema-direita norte-americana. Sem apresentar fatos ou evidências, ela diz que o presidente dos EUA, Donald Trump, está em uma batalha contra o “deep state” (ou “Estado profundo”, em tradução livre), que seria uma espécie de governo ilegítimo escondido dentro do próprio governo formado por elites políticas, financeiras e do entretenimento. A teoria também faz acusações sem apresentar evidências contra celebridades e políticos do partido Democrata.

As crenças, baseadas em interpretações de uma figura anônima conhecida apenas como “Q”, frequentemente resultam em campanhas de ódio e assédio. Em alguns casos, a QAnon esteve supostamente envolvida em ataques a acampamentos de pessoas sem moradia, bloqueios de estradas com veículos blindados de combate, planos de sequestros e até mesmo assassinatos. Em 2019, o FBI considerou a QAnon uma potencial ameaça de terrorismo doméstico.

Com as novas medidas, o Twitter vai bloquear links para URLs ligadas à QAnon. A rede também vai parar de recomendar e destacar nas conversas e resultados de busca os conteúdos e contas relacionados à teoria da conspiração. Essas medidas devem afetar 150 mil contas da plataforma. Outras 7 mil foram banidas nos últimos dias.

O Twitter também diz que vai suspender contas que estiverem envolvidas com violações das políticas de múltiplas contas da rede, abuso coordenado de vítimas individuais ou que estiverem tentando driblar uma suspensão anterior.

De acordo com um porta-voz da rede social ouvido pela NBC News, as medidas de ataques coordenados contra vítimas individuais já eram proibidas pelas regras contra manipulação do Twitter. Já a classificação do material da QAnon e do comportamento dos seguidores da teoria como atividade nociva coordenada faz parte de uma nova designação.

Segundo este mesmo porta-voz, o Twitter decidiu agir pois considerou que o perigo ligado à teoria está crescendo. Nas últimas semanas, a modelo Chrissy Teigen e a marca de móveis Wayfair tem sido alvo de acusações infundadas de seguidores da QAnon.

A nova política do Twitter é uma das poucas a tentar resolver a questão da organização extremista nas redes sociais. Em 2018, o Reddit proibiu completamente todas as atividades ligadas à QAnon por violarem suas políticas contra assédio, doxing e incitação à violência. Nas outras redes, porém, os seguidores da teoria continuam circulando livremente. Há grupos no Facebook e no Discord que reúnem membros que acreditam na QAnon, e influencers da teoria divulgam suas ideias livremente no YouTube.

[NBC News, The Guardian]