O Twitter, uma rede social conhecida por seu feed perpétuo de virulência e assédio direcionado, está voltando suas atenções para a academia para responder uma pergunta de uma década: por que o site é tão ruim?

• Parece que o Twitter suspendeu 58 milhões de contas em três meses
• Twitter vai começar a esconder tuítes de “impacto negativo”

A rede social anunciou nesta segunda-feira (30) que havia escolhido dois parceiros para ajudarem-na a “medir a saúde da conversa pública no Twitter”. A empresa apontou, em um post de blog, que um comitê de revisão — funcionários do Twitter de vários departamentos — analisou mais de 230 propostas desde março. O processo foi reduzindo os finalistas ao longo de várias rodadas, por fim resultando nos dois projeto finais.

(“Depois de meses revisando propostas fantásticas de especialistas do mundo todo, selecionamos dois parceiros que vão nos ajudar a medir nosso trabalho para atender à conversa pública.”)

O primeiro grupo de especialistas, liderado pela professora assistente de Ciência Política na Universidade de Leiden, na Holanda, Dra. Rebekah Tromble vai analisar “câmaras de eco e discurso incivil” para entender “como as comunidades se formam em torno de discussões políticas no Twitter e os desafios que podem surgir à medida que essas discussões se desenvolvem”.

Uma das métricas que o grupo vai analisar é “a extensão com que as pessoas reconhecem e se engajam com pontos de vista diversos no Twitter”, o que, em nossa experiência, está mais para um exército de trolls gritando “espero que você morra” para uma mulher que tuitou sobre a diferença salarial entre homens e mulheres do que para uma interação informada e profunda. O grupo também buscará desenvolver algoritmos que possam discernir entre incivilidade e discurso intolerante. Este último, como descobriram os pesquisadores, “é inerentemente ameaçador para a democracia”.

O segundo parceiro de pesquisa do Twitter vai analisar “como as pessoas usam o Twitter e como a exposição a uma variedade de perspectivas e origens podem diminuir o preconceito e a discriminação”, escreveu a empresa. Os especialistas — professores da Universidade de Oxford e da Universidade de Amsterdã — vão ajudar a desenvolver “classificadores de texto para linguagem comumente associada com sentimento positivo, emocionalidade cooperativa e complexidade integrativa, que serão adaptados para a estrutura de comunicação no Twitter”.

É, sem dúvidas, uma boa ideia o Twitter examinar como sua plataforma é usada e como isso impacta seus usuários — especialmente se esse impacto é severamente insalubre. E é também sem dúvidas bom que essa análise minuciosa venha de gente de fora, embora exista um viés inerente nos tópicos escolhidos, considerando que eles foram selecionados a dedo pelo próprio Twitter.

Essa pesquisa é parte importante de uma missão maior da empresa de tornar seu serviço menos abusivo e mais produtivo, um esforço admirável e essencial — e que chega bastante atrasado.

Imagem do topo: Getty