Querido Giz,

Já faz 10 anos? Uau.

Era junho de 2008 quando compusemos a empresa – a Spicy Media. Minha estreia no empreendimento, eu que tinha sido só executivo até ali. Em agosto, estreamos. (E o servidor caiu na primeira hora. Soou charmoso, parecia uma avalanche de acessos. Mas era só um bug de programação e hospedagem.)

Em 10 semanas, fizemos tudo – definimos o nome da empresa, a registramos, criamos um logo, imprimimos cartões. Desenhamos o site e desenvolvemos a plataforma sobre a qual rodaríamos o Giz – escolhemos Drupal em vez de Joomla. (Por que diabos não fizemos tudo logo em WordPress?)

Quando o Gizmodo chegou ao Brasil, o iPhone ainda não era nem 3G

Definimos o modelo de negócios (eu não sabia o que era um Superbanner e tive que aprender o que era uma clicktag), precificamos, fizemos o material de vendas. E eu saí para vender. Palmilhei o emergente mercado de mídia digital brasileiro. Não conhecia ninguém, fiquei conhecendo todo mundo. Dezenas de cold letters e cold calls. Havia dias em que eu tinha reunião de apresentação comercial das 8h às 20h. Não dava tempo de almoçar. Eu levava uma boa nova – o Gizmodo, o maior blog do mundo, bíblia dos geeks mais bacanas do planeta, chegava ao Brasil.

As redes sociais ainda não haviam revolucionado nossas vidas. A blogosfera – ambiente em que você brilhava, Giz – era a grande novidade dentro do mundo digital. A gente era visto como oportunidade – mas também como ameaça. (E muita gente simplesmente não entendia o que éramos e o que fazíamos.)

Apostamos tudo em Brand Content – na época, nem se usava esse termo. Mas era o que vendíamos – a nossa expertise em produzir conteúdo de primeira linha para as marcas, e sua supervitrine, Giz, para conectar essas histórias com os consumidores de tecnologia mais influentes do mercado. (Quem primeiro usou o termo “Brand Channel” no Brasil não foi o You Tube, Giz, fomos nós.) Muitas agências e muitos clientes ainda não estavam preparados para fazer essa compra – queriam saber apenas quantos page views de square banner tínhamos em nosso inventário. Felizmente, encontramos ótimos parceiros. E deu tudo certo.

Muita gente boa passou pelo Giz. Pedro Burgos, Fabio Sabba, Renata Mesquita, Fabio Bracht, Felipe Ventura, Leo Martins, José Roberto Gomes. Crescemos. Naquele fim de década, com grande otimismo em relação ao Brasil, a Vila Olímpia era uma espécie de Vale do Silício brasileiro. E a gente marcou época a partir do canto de escritório que ocupávamos naquelas quebradas digitais.

Aí um dia veio Caio Maia e pediu para cuidar de você. Com três anos de vida no país, você trocou de casa. E que bom que foi assim. Bons projetos são feitos para voar, não para ficar na mão da gente. Em seguida, a Mariana Castro caiu dentro. E desde então vocês têm feito uma bela dupla.

Parabéns, Giz.

E muito obrigado por tudo, mas tudo mesmo, que você me ensinou.

Adriano Silva é founder e publisher do Projeto Draft. Em 2008, ele criou a Spicy Media que trouxe o Gizmodo ao Brasil.