A Uber está expandindo sua presença no mercado de delivery. Após vários rumores na semana passada, a companhia anunciou que comprou o Postmates, um app de entrega dos EUA, por US$ 2,65 bilhões em uma transação envolvendo apenas ações.

A Bloomberg noticiou a transação durante a noite deste domingo (5), dizendo que o negócio estava prestes a ser fechado. No entanto, a operação não surpreendeu ninguém. Em maio, a Uber fez algum barulho pela possibilidade de comprar o Grubhub, outra plataforma de entrega dos EUA, em uma transação envolvendo apenas ações, porém não deu certo no fim das contas. Foi relatado no início do ano que a Uber também não conseguiu comprar o DoorDash em 2019. Após não consegui adquirir nenhum dos dois, a lógica seria se concentrar no Postmates.

Apesar de ter demitido 14% de sua força de trabalho por causa da pandemia, o negócio faz sentido, pois entrega de comida tem sido uma das divisões da Uber com crescimento nos últimos meses. A Uber viu uma redução de receitas de US$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre, mas o Uber Eats viu as reservas dispararem 52%, para US$ 3,1 bilhões. Enquanto isso, a receita líquida dessa divisão do negócio aumentou 121% em relação ao primeiro trimestre de 2019. Parece que essa tendência também continuou no segundo trimestre.

“Uber e Postmates há tempos compartilham a crença de que plataformas como as nossas podem oferecer muito mais do que apenas entrega de alimentos — elas podem ser uma parte extremamente importante do comércio e comunidades locais, ainda mais importantes durante a crise do COVID-19”, disse o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, em um comunicado. “À medida que mais pessoas e mais restaurantes passaram a usar nossos serviços, os pedidos do segundo trimestre no Uber Eats aumentaram mais de 100% ano a ano. É com muita satisfação que damos as boas-vindas ao Postmates à família Uber, pois inovamos juntos para oferecer melhores experiências para os consumidores, entregadores e comerciantes de todo o país”.

Então, o que isso significa para os dois serviços? Para os consumidores, não parece que muita coisa vai mudar. Em seu comunicado de imprensa, a Uber diz que pretender manter o app Postmates funcionando independentemente. A reportagem da Bloomberg também observou que o CEO do Postmates, Bastian Lehmann, e sua equipe continuariam a tocar a companhia.

A grade mudança na operação tem relação com juntar parte da tecnologia de back-end enquanto amplia sua rede de opções de entrega. O comunicado, por exemplo, diz que o pessoal de entrega terá “mais oportunidades de gerar receita”, ao fazer referência a pedidos feitos em lote.

A entrega de comida aumentou durante este tempo em que as pessoas estão mais em casa, mas isso não se traduz necessariamente em lucros. Os restaurantes não estão se beneficiando muito devido às taxas aplicadas por estes apps, enquanto, de acordo com o Wall Street Journal, os próprios serviços não estão se equilibrando muito bem.

Principalmente porque eles não podem ser monstros e negar equipamento de proteção para os entregadores, e outras coisas que podem parecer desagradáveis para eles, como a decência de fornecer dias de folga para trabalhadores em quarentena, fundos de assistência médica e benefícios de desemprego. Honestamente, este acordo é basicamente duas empresas que se consolidam para sobreviver e tentar superar seus rivais — enquanto fazem o mínimo possível para trabalhadores e pequenas empresas que tornam esses serviços possíveis.