Na tentativa de diminuir os prejuízos na Índia, a Uber anunciou que vendeu sua divisão de delivery de comida para um concorrente local chamado Zomato. A negociação vale apenas para a operação do Uber Eats na Índia e, segundo o TechCrunch, a companhia ficou com 9,99% da outra companhia – o acordo está avaliado entre US$ 160 milhões e US$ 200 milhões.

Satish Meena, analista da consultoria Forrester, disse ao TechCrunch que apesar do acordo com a Uber Eats, a Zomato ainda fica atrás da rival local Swiggy, uma startup que levantou US$ 1 bilhão no final de 2018.

“A Índia ainda é um mercado excepcionalmente importante para a Uber e continuaremos a investir no crescimento do nosso negócio local de corridas, que já é claramente a líder da categoria”, disse Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, em um comunicado.

Apesar da declaração, a Uber pode não ser a líder entre os aplicativos de corrida na Índia. Estimativas apontam que a concorrente Ola processa o dobro de corridas no país e tem presença em mais cidades.

Com a venda da divisão do Uber Eats, alguns funcionários que trabalhavam no aplicativo de delivery serão realocados para o app de carros, enquanto outros serão demitidos – ainda não se sabe quantas pessoas vão perder seus empregos.

O anúncio da venda da Uber Eats acontece em meio a uma nova rodada de financiamento da Zomato, que levantou US$ 150 milhões de uma investidora ligada ao grupo chinês Alibaba e ainda procura investimento de US$ 400 milhões.

O Uber Eats na Índia tinha prejuízo projetado de US$ 107,5 milhões entre agosto e dezembro do ano passado. Curiosamente, a Zomato também opera no negativo, mas tem reduzido suas perdas – em 2018, eles estavam perdendo mais de US$ 40 milhões por mês, mas esse número foi reduzido para US$ 20 milhões mensais, segundo um dos investidores da startup.

Esse tipo de operação não é inédita na Uber. Em 2016, a companhia decidiu vender suas operações na China para a concorrente Didi Chuxing após acumular grandes prejuízos. O aplicativo de corridas também saiu de mercados do sudeste asiático depois de perder cerca de US$ 5,2 bilhões no último trimestre – nesse mercado, a rival local Grab assumiu a operação em oito países.

O projeto da Uber é parar de sangrar e finalmente se tornar lucrativa até 2021. Nos resultados trimestrais divulgados em novembro de 2019, a companhia registrou uma perda líquida de cerca de US$ 1,2 bilhão – o número gigantesco foi, na verdade, um resultado positivo se levado em consideração prejuízos anteriores.

No Brasil, o mercado de delivery tem seu representante mais forte no iFood, uma das startups unicórnios do País (avaliada em mais de US$ 1 bilhão). Em 2018, a companhia recebeu investimento recorde de US$ 500 milhões – o maior aporte privado já feito em uma empresa de tecnologia na América Latina. Em março de 2019, a espanhola Glovo deixou o mercado brasileiro – e parece que também vai meter o pé de Turquia, Egito, Uruguai e Porto Rico. Em seu relatório financeiro, a Uber não abriu números específicos da operação do Eats no Brasil.

[TechCrunch]